Uma conversa. mp4, música e sensibilidade. Sobre Anjos.

26 01 2010

Duas imagens para esta postagem

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Agora é noite de uma terça-feira, quase 23h. E foi hoje, depois que fiz mais um desenho (o que vou postar logo abaixo), que fiquei refletindo sobre a vida: algumas vezes, pessoas se demonstram anjos e estendem uma  mão, num simples, mas grandioso e marcante gesto à vida de outrem. E assim, eu me lembrei de tantas pessoas que já se apresentaram com suas asas-mãos para mim. E como foram grandes as suas contribuições em minha vida…

Percebi que contribuições e mãos se estendem em solidariedade ao próximo através do bater das asas de pessoas que são anjos. E como é bom percebê-los em volta! E como é bom também perceber-se anjo na vida de alguém.

A solidariedade, a generosidade, a gentileza… são virtudes que não nos são caras e, quando em comum com a sinceridade, pode render-nos o calor sereno e poderoso do agradecimento.

(Sei que esse blog tem o intuito de expor Arte e talvez eu esteja sendo mero moralista. Mas meu intuito não é aplicar lição de moral, e, sim, escrever um pouco do que gostaria de compartilhar)

Ultimamente, tenho sentido atração artística pelas mãos, uma vez que tenho percebido esses membros como partes do nosso corpo com capacidade também para o toque, o contato com o outro, para uma aproximação sensitiva e emocional (ou uma repugnação, quando emitimos determinados sinais…!); uma parte de também significação, como são os olhos e o sorriso humano. E é um toque, uma marca que podemos deixar noutrem, que me interessa.

Assim sendo, deixo aqui uma homenagem às pessoas anjos, que alguma vez já abriram suas asas para alguém, ou deixaram ver suas penas límpidas sobre a casaca humana. Aos anjos da minha vida, meu agradecimento:

 Estudo das mãos

Mas antes de finalizar tal postagem, gostaria de dedicá-la ainda a alguns anjos amigos, que demonstram asas no laço de fraternidade e prece pelo bem de ambas as partes. A um visitante recente: Belo; à vida, se ela receber tal dedicação; à Gabi, pela carta que me enviou, à qual ainda devo uma resposta.  

 

Meu abraço, e meu pensamento.

 

 

 

 

 

Sobre as imagens: desenhos a lápis de cor. 1) Estudo das mãos. 2) Desenho a partir de foto (da Gabi).





O que nos faz GRANDES artistas?

17 01 2010

Um ensaio: em uma tarde calorosa e aconchegante, com dois cachorros, caneta e papel.

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Dizem por aí, na internet, que um artista é um ser que faz arte. Mas, antes que nos aprofundemos em designar o que é ser artista, deixemos a definição de lado; afinal, antes de um artista, que é arte?

Título: Anjo torto apaixonado. Lápis HB sobre A4.

Título: Anjo torto apaixonado. lápis HB sobre papel A4. Direitos Reservados

Até onde se tem notícia sobre civilizações, e sobre sociedades organizadas política e socialmente, a História do Homem nos apresenta um ser que faz, ou cria, ou produz, ou inventa Arte. E essa mesma História nos apresenta diferentes épocas, conceitos, dogmas e transformações culturais. Mas, dentre outras coisas, fica presente e marcada a figura de um artista de uma época: transformador ou representante de toda a cultura de seu momento histórico, estando, muitas vezes, à frente das concepções e visões de sua época. Podem ser eles Leonardo da Vinci, Michelângelo, Picasso, Van Gogh ou Beethoven, Mozart ou Vitor Hugo, Virgínia Wolf, Edgar Alan Poe ou Marilyn Monroe, Elvis, Chaplin… Todos eles marcaram e receberam, primeiro de poucos e agora de muitos, o título de GRANDES!

Assim, estive me perguntando: o que os (nos) faz artistas notórios, respeitados e um marco histórico?

Seriam apenas nossos status político-artístico-cultural? Nossas habilidades incomuns para com a Arte? Que nos fariam GRANDES artistas?

Aos artistas mais lembrados e respeitados, admitirei aqui aqueles artistas que estão já na História e na cabeça do povo, estabilizados como Mitos, ainda que suas biografias e seus trabalhos sejam desconhecidos pelas novas gerações. E por meio de uma leitura de suas biografias, podemos logo perceber que esses consagrados fizeram de suas vidas uma batalha contra si mesmos, contra o tempo que tentavam aprisionar a eles ou à suas produções, contra a convencionalidade de uma época…

Leonardo da Vinci fez de sua vida um poço sedento por águas do conhecimento, desde a ciência às artes; era, inclusive, músico e cantor, além de inventor, pesquisador…

Michelangelo, pelos relatos, fez de sua arte uma forma de amenizar suas dores da alma e do corpo; o mesmo em carta a um amigo chegou a relatar que, na arte, refugiava-se das dores da perna e dos sofrimentos em sua vida.

Vindo à tona agora em filme, há suposição de que Salvador Dali refugiou na pintura a repressão sexual e romântica; isto é, a relação homossexual reprimida (o mesmo dizem de Da Vinci que, inclusive, “recebeu” recentemente estudos sobre seu mapa astral. Segundo os estudos, há, no criador da Mona Lisa, o perfil feminino na sua personalidade e que comprovaria boatos de sua homossexualidade e relação com um de seus discípulos de atelier… Assim, segundo suposições, Leonardo da Vinci, ao pintar mulheres, estava não só pintando as falecidas mãe e madrasta, mas a si mesmo…).

Picasso, horrorizando a perfeição das formas do corpo humano, em suas últimas fases artísticas, vem a ser mais um a romper (talvez o mérito do rompimento seja seu) uma tendência artística que, de certo modo, idolatrava a perfeição das formas e do corpo humano; tendência que teve como representante William-Adolphe Bouguereau, outro GRANDE artista.

E Vincent Van Gogh, que enfrentou desde cedo sua excessiva necessidade de atenção e carinho, a qual, juntamente com outros fatores, o fazia entrar em crises de loucura (como revelam as cartas de família).

Não só na pintura, mas num todo como Arte, o que fez desses consagrados GRANDES artistas?

Seja na Literatura, na Música ou no Teatro e Cinema, os consagrados têm algo em comum. Daí, concordo com nosso conhecido Orkut: “Grandes trabalhos são realizados não pela força, mas pela perseverança”. Talvez, transformar sua vida em uma lição de trabalho, persistência, crença e defesa por seus ideais, em lição de ousadia e autoconfiança seja um passo para a autopercepção: valeu à pena!

Então, para concluir depois do que escrevi acima, pensei no seguinte:

Espero que nós (ou pequenos, ou medianos ou futuros grandes artistas) sejamos persistentes, capazes de fazer de nosso suor um Hino de Vida e Trabalho digno. E que os nossos ídolos-artistas descansem agora em paz, uma vez que seus legados habitam entre os vivos; mesmo que sejam, para alguns, desconhecidos.

Um “viva” à Vida!





De M.Dolabela a Picasso

16 01 2010

Uma conversa entre umas Artes, uma Notícia, um amigo e um desenho

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Hoje é um sábado, dia 16 de janeiro de 2010, chuvoso e nublado por aqui, em Sauaçuhy (Maceió-Alagoas). E desde a última sexta-feira não cessam as matérias sobre o terremoto no Haiti.

Ainda ontem, no Jornal da Globo, o comentarista Arnado Jabor fez [como sempre faz] comentários muito honrosos. Pelo que lembro, comentava algo sobre por que não nos preocupamos com a miséria do Haiti antes de o terremoto acontecer; como sempre, preocupamo-nos não antes, mas depois, enquanto que a desgraça e a miséria humana apodrecem bem à nossa frente…

Pensando nisso, algumas coisas se misturaram.

Depois de ler a biografia e obras de Vicent Van Gogh, estou lendo Picasso [e que força de traços!]. Daí, resolvi fazer deste post do blog uma homenagem a alguns.

_ Por uma homenagem aos vitimados da miséria que fingimos não ver;

_ Por uma homenagem a Picasso [que adapto aqui aos meus traços e arte];

_ Por uma homenagem ao Marcelo Filho (Moral) [amigo que me presenteou com o livro que contém o poema abaixo];

_ Por uma singela homenagem a Marcelo Dolabela;

                      Por uma homenagem a esses, deixo aqui um desenho de minha autoria, com um poema que me prendeu à página 94:

Sim, meu país é a guerra

 

sim, meu país é a guerra:

luz que já não ilumina;

presente que não espera

a hora que tudo termina;

 

não, meu país é a guerra:

cabeça sem aspirina;

cérebro que desespera,

quando dorme a retina;

 

vê, meu país é a guerra:

batalha sem Hiroshima,

onde a dor não salva quem erra;

 

berro que berra na narina;

ar, meu país é a guerra:

terra, teu nome é ruína.

 

(Marcelo Dolabela, Lorem Ipsus, 1994)

 

 Bem, isso é tudo. Vou-me embora pra novos desenhos, a fim de sentir-me útil.

Até uma próxima!

Título: RUÍNA; pastel seco e óleo e lápis de cor sobre papel; 31,7cm x 21,7cm; 2010







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