Um post sobre a escassez de investimento em Formação Artística. Escassez e frustrações artísticas e brasileiras.
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Quantas são as pessoas que, por desventura dos bens financeiros, não realiza seus grandes sonhos de desfrutar o melhor da Arte?
Resposta: Muitas! Eu sou uma delas.

Direitos Reservados
Desprovido de condições financeiras que me permitam investir melhor no que mais gosto de fazer (ARTE), minhas condições de sair deste lugar para novos ares é pequena. E assim como eu, muitas pessoas se deparam com a frustração de estar desprovida de realizar esses sonhos, os quais, para outrem, são meros “caprichos que não levam a lugar algum”.
Diante disso, quando a família e amigos não têm condições de oportunizar chances de fazer algum curso para aperfeiçoamento (por exemplo), temos que nos conformar:
– Se eles pudessem, eles me ajudariam a realizar um sonho (acreditamos).
Nós, cidadãos que andam na linha tênue entre a pobreza e a classe média do Brasil, infelizmente nos deparamos com algumas situações de isolamento político-social-cultural-econômico, de forma que, ainda infelizmente, para investir no aperfeiçoamento de suas formas de arte (desenho, dança, música), melhor se sobressai quem alguma condição há de estar nos núcleos artísticos do Brasil. São eles: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais.
Quem não tem condições financeiras de ir e se sustentar por considerável tempo nessas regiões, ou quem não tem parentesco ou apoio de amigos, dificilmente se felicita com o prazer de estar cursando alguma Universidade (por exemplo) que lhe permita trabalhar com Arte. E há também o caso em que, no Brasil, tem-se a ideia de que, trabalhar com Arte, é um passaporte para morrer na pobreza… (tsc, tsc)
(Enfim…)
Vejo a história de uma amiga, e como sua história pode se assemelhar à minha e à de tantos brasileiros.
Sylvinha é uma menina (de vinte e poucos anos) que cursa a Faculdade Federal em Letras, e tem em si uma grande paixão e interesse pela Moda.
– Mas então por que Sylvinha não faz um curso de Moda?, pode me perguntar você.
A resposta, muito óbvia: são poucas as condições. Em Alagoas, poucos são os cursos disponíveis nas universidades. Os mais concentrados são os cursos técnicos, jurídicos, médicos e, principalmente, em licenciatura (embora haja a escassez de professores nas escola públicas)… Cursos de Belas Artes, não há.
Para cursar Moda, Sylvinha teria que se deslocar para outro Estado.
– Por que não vai?
“Com qual condição?”, lanço essa contrarresposta! Com a falta de interesse e especialização sobre Arte no Estado de Alagoas, somos todos obrigados a ver pessoas frustradas seguindo carreiras as quais são, muitas vezes, sonhos se seus pais.
O que faria uma pessoa como Sylvinha, nessa situação?
Bem, teria, dentre outras possíveis, duas opções: desistir definitivamente da sua paixão pela moda, afogando-se na frustração de não se sentir realizada interiormente, ou pederia começar a trabalhar por si, comprando uma máquina de costura, revistas sobre moda, estudando sozinha.
Mas… Opa!
Acredito ser difícil encontrar algum lugar neste país em que não haja alguém tentando viver da arte, costurando, pintando, grafitando, pintando, dançando… Mas a verdade é: como toda e qualquer profissão, dá-se melhor quem tem num currículum uma BOA formação. Aí danou-se tudo!!!
[som de vinheta] Há esperança? Há saída para Sylvinha e tantos outros brasileiros? Há esperança? Há?
A verdade é que não há como calar: temos por herança a crença de que ARTE é algo de elite, e o que estiver ao alcance de toda uma população (também frustrada pela dificuldade de realizar sonhos) pouco tem valor. Acreditamos: o que é popular não presta… E assim, tudo o que não for arte, será chamado: artesanato…
Será que é assim mesmo?
Nossas crenças de que nomes importantes são aqueles de quem fez (passado) GRANDES coisas; de quem faz (presente) parte de uma elite que frequentou Universidades, tem status político e se relaciona com outros “grandes nomes” (Diz-me com quem tu andas, e te direi quem tu és: famoso).
Mas, então, qual seria a saída? Por onde podemos caminhar para conquistar uma “democracia” capaz de oferecer aos interessados as oportunidades que desejam para serem profissionais realizados naquilo que sentem demasiada paixão? Quais os possíveis caminhos para seguir?
Alguém se manifesta publicamente? Pensaram em alguma proposta?
Sinto que, mais uma vez, uma problemática social que envolve a Arte nos faz calar a boca, e, ou perder as esperanças, ou buscar algum meio (ainda que um pouco frustrante) de viver com uma esperança interna; como se essa esperança fosse uma pequena chama de uma vela comum, prestes a se apagar com a ventania que insiste em nos fazer acreditar: a Arte morreu.

