Um drinque de xícaras vazias. Há tristeza, há desabafo.

24 02 2010

Um post sobre a escassez de investimento em Formação Artística. Escassez e frustrações artísticas e brasileiras. 

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Quantas são as pessoas que, por desventura dos bens financeiros, não realiza seus grandes sonhos de desfrutar o melhor da Arte? 

Resposta: Muitas! Eu sou uma delas. 

  

Direitos Reservados

Desprovido de condições financeiras que me permitam investir melhor no que mais gosto de fazer (ARTE), minhas condições de sair deste lugar para novos ares é pequena. E assim como eu, muitas pessoas se deparam com a frustração de estar desprovida de realizar esses sonhos, os quais, para outrem, são meros “caprichos que não levam a lugar algum”. 

Diante disso, quando a família e amigos não têm condições de oportunizar chances de fazer algum curso para aperfeiçoamento (por exemplo), temos que nos conformar: 

– Se eles pudessem, eles me ajudariam a realizar um sonho (acreditamos). 

Nós, cidadãos que andam na linha tênue entre a pobreza e a classe média do Brasil, infelizmente nos deparamos com algumas situações de isolamento político-social-cultural-econômico, de forma que, ainda infelizmente, para investir no aperfeiçoamento de suas formas de arte (desenho, dança, música), melhor se sobressai quem alguma condição há de estar nos núcleos artísticos do Brasil. São eles: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais. 

Quem não tem condições financeiras de ir e se sustentar por considerável tempo nessas regiões, ou quem não tem parentesco ou apoio de amigos, dificilmente se felicita com o prazer de estar cursando alguma Universidade (por exemplo) que lhe permita trabalhar com Arte. E há também o caso em que, no Brasil, tem-se a ideia de que, trabalhar com Arte, é um passaporte para morrer na pobreza… (tsc, tsc) 

(Enfim…) 

Vejo a história de uma amiga, e como sua história pode se assemelhar à minha e à de tantos brasileiros

Sylvinha é uma menina (de vinte e poucos anos) que cursa a Faculdade Federal em Letras, e tem em si uma grande paixão e interesse pela Moda

– Mas então por que Sylvinha não faz um curso de Moda?, pode me perguntar você. 

A resposta, muito óbvia: são poucas as condições. Em Alagoas, poucos são os cursos disponíveis nas universidades. Os mais concentrados são os cursos técnicos, jurídicos, médicos e, principalmente, em licenciatura (embora haja a escassez de professores nas escola públicas)… Cursos de Belas Artes, não há.  

Para cursar Moda, Sylvinha teria que se deslocar para outro Estado. 

– Por que não vai? 

“Com qual condição?”, lanço essa contrarresposta! Com a falta de interesse e especialização sobre Arte no Estado de Alagoas, somos todos obrigados a ver pessoas frustradas seguindo carreiras as quais são, muitas vezes, sonhos se seus pais

O que faria uma pessoa como Sylvinha, nessa situação? 

Bem, teria, dentre outras possíveis, duas opções: desistir definitivamente da sua paixão pela moda, afogando-se na frustração de não se sentir realizada interiormente, ou pederia começar a trabalhar por si, comprando uma máquina de costura, revistas sobre moda, estudando sozinha

Mas… Opa! 

Acredito ser difícil encontrar algum lugar neste país em que não haja alguém tentando viver da arte, costurando, pintando, grafitando, pintando, dançando… Mas a verdade é: como toda e qualquer profissão, dá-se melhor quem tem num currículum uma BOA formação. Aí danou-se tudo!!! 

[som de vinheta] Há esperança? Há saída para Sylvinha e tantos outros brasileiros? Há esperança? Há? 

  

A verdade é que não há como calar: temos por herança a crença de que ARTE é algo de elite, e o que estiver ao alcance de toda uma população (também frustrada pela dificuldade de realizar sonhos) pouco tem valor. Acreditamos: o que é popular não presta… E assim, tudo o que não for arte, será chamado: artesanato… 

Será que é assim mesmo? 

Nossas crenças de que nomes importantes são aqueles de quem fez (passado) GRANDES coisas; de quem faz (presente) parte de uma elite que frequentou Universidades, tem status político e se relaciona com outros “grandes nomes” (Diz-me com quem tu andas, e te direi quem tu és: famoso). 

Mas, então, qual seria a saída? Por onde podemos caminhar para conquistar uma “democracia” capaz de oferecer aos interessados as oportunidades que desejam para serem profissionais realizados naquilo que sentem demasiada paixão? Quais os possíveis caminhos para seguir? 

Alguém se manifesta publicamente? Pensaram em alguma proposta? 

Sinto que, mais uma vez, uma problemática social que envolve a Arte nos faz calar a boca, e, ou perder as esperanças, ou buscar algum meio (ainda que um pouco frustrante) de viver com uma esperança interna; como se essa esperança fosse uma pequena chama de uma vela comum, prestes a se apagar com a ventania que insiste em nos fazer acreditar: a Arte morreu.

 

 





Uma nova conversa. Uma defesa apaixonada.

11 02 2010
Talvez frágeis argumentos.
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Direitos reservados

 

Noutra postagem, falei sobre alguns dos GRANDES artistas da Humanidade. E como não poderia deixar por menos, citei Leonardo da Vinci.

Comentei sobre uma de tantas pesquisas que há sobre o gênio: o mapa astral (numerológico) que tende a comprovar a existência de traços femininos na sua personalidade. E isso é interessante para pensar que a curiosidade de muitas pessoas tende para a revelação da vida pessoal de celebridades, estando elas vivas ou mortas, não importando a quantas andam os seus corpos nos túmulos seculares

Muitos estudos tendem a investigar os graus dos relacionamentos permeados entre pessoas X e Y. E talvez isso tenha um forte, interessante e não-descartável argumento: investigar para descobrir e expor o quão humanos foram nossas Celebridades Idolatradas pode nos fazer perceber a nossa capacidade de também realizar grandes feitos. E isso, sem dúvida, incentivar-nos-ia a adquirir novos posicionamentos perante a sociedade escassa de valores, na qual vivemos.

 

Mas a minha defesa aqui vai por outro caminho.

 

Não defendo que sessem os estudos de “revelação” do âmbito pessoal do artista. Pelo contrário, para alguns casos e estudos, defendo que o lado pessoal está, sim, atrelado a um melhor entendimento sobre a arte e o trabalho de qualquer ser humano.

Isso implica dizer que eu acredite na seguinte ideia: para olhar e apreciar feitos, seria mais interessante e justo apreciar a técnica e o “objeto”, e não a quem fez.  Objeto e técnica podem (e seria mais interessante se) estar notoriamente em distintos lugares. Pois, olhando uma obra de modo independente a quem a fez, poderemos perceber marcas de sensibilidade, perspicácia, agilidade e técnica que, muitas vezes, um sujeito tímido não deixaria perceber em seu comportamento social. É como dizem sobre livros: mal faz quem o julga pela capa…

 

Mas minha defesa ainda não é esta…

 

Veja-se que, em rodas de amigos e conhecidos, muitos me falam que, em meus desenhos, ainda há muito de mim: seja o olhar de uma figura, seja a boca, seja uma expressão, seja uma “áurea” (como diriam os clássicos e românticos).

Mas então que, atentando-me ao conjunto de obras de Grandes artistas, como, inclusive, Da Vinci e Bouguereau, pude notar: até eles puseram algo de muito similar entre todas as obras, e algo que, se pudermos ollhar seus autorretratos e suas fotografias, perceberemos marcas de suas expressões, de suas naturezas, de suas referências físicas (modelos que aparecem em mais de uma obra).

Foi daí que pude perceber “coisas“. Para nossos feitos, dificilmente não iremos por nossos toques, nossas “particularidades(salvo copiadores, obviamente; em alguns casos, também com excessão de artistas que estão iniciando o processo de descoberta de sua personalidade artística, de sua marca na Arte)

Na Arte, nossos ollhares se fecundam com nossa técnica, com nossos objetos, nossos filhos, nossas proles ou criações, ou produções, ou invenções

Na Arte, nossas particularidades passam a não estar apenas em nós, mas em nossascoisas“, as quais foram tocadas por uma mão, um sopro, um gesto, um movimento, um olhar, um salto

Na Arte, parasitamos o mundo com uma revelação pública sobre o modo como vemos o mundo, como o enxergamos, como pretendemos provocá-lo, criticá-lo, denunciá-lo, elogiá-lo, como pretenderíamos transformá-lo, percebê-lo

Na Arte… Quer dizer, na NOSSA Arte, duplicamos nossa essência, transformamos a sensibilidade tão abstrata no contreto artístico do papel, do filme, do movimento, do palco, do som…

Na NOSSA… quer dizer, na MINHA Arte, expresso-me não diferente de tantos outros que FAZEM arte. Faço em comum, silencioso e natural acordo de que, para fazer uma arte autêntica, distinta das outras, precisamos recusar o demasiado uso de técnicas prontas, apropriar-nos delas e amadurecê-las (sem tomar a ingenuidade de acreditar que uma Arte não tem precedente)… Para fazer uma arte autêntica, posso ter infinitos caminhos, dentre os quais, algum deles, poderá levar ao Objeto Artístico a sua AUTONOMIA (como muito houve: personagem e telas se tornam muito mais conhecidas que seus “criadores”). Mas tal autonomia não quererá dizer que o arista não esteve presente na fecundação daquele objeto de arte: muitos elementos, que não são um óvulo e espermatozóide, casaram-se, uniram-se, atrelaram-se, de modo que, talvez, apenas quem já se permitiu ao prazer de fazer arte pode comprovar, presenciar, degustar, testemunhar

É mais ou menos como um dia me falou uma pessoa querida (sobre mim): “Você não desenha; você faz amor com traços”. É assim que percebo a minha relação com a arte: pelo fervor dessa relação, pelo suor provocado pela concentração e desafio dos traços e cores, muito do que é permitido à relação Artista e Arte passa, transporta-se, ao papel, à minha forma de FAZER Arte, denunciar o mundo e transformá-lo; nem que seja apenas para eu mesmo.

 

De café, um novo drinque: “tin, tin“.





Um brinde com café. Ao papel.

2 02 2010

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Não tenho lembranças de algo que eu goste mais do que papéis, lápis, cola e tesoura. Eu simplesmente deliro diante de papel branco e novo. É como se ele gritasse para que eu fizesse uns borrões, uns traços, umas palavras, um fingimento de arte.

Desde pequeno, vi o papel como aliado. Meu exército companheiro de passar longas horas sempre foi o material escolar da disciplina de Artes, e o general desse exército, o papel; sempre o papel.

Por isso, diante de mim, o papel é um material primo, genuinamente esplêndido, fantástico, submisso e singular. Do papel, eu posso fazer caixas, recortar figuras, dobrar origamis e (o que mais gosto) desenhar e pintar.

Desse modo, eu pensava que estava fazendo Arte. E assim queria que vissem: há técnica, expressão, subjetividade, autenticidade e tantas outras coisas ali, naqueles papéis.

Assim sendo, por que não deixar aqui um registro; um brinde com café:

“Ao papel, aos lápis, tesouras e colas!”

Tin, tin“.

 








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