Café frio. Palavras. Papo com botões.
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Por que há tempos em que nada surge?
Por que é tão fácil desenhar? E por que é tão difícil ao mesmo tempo?
Onde estão as ideias?
Onde está “o estalo” que dá força ao braço e nos mostra como é fácil fazer a mais monstruosa linha?
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Devo admitir: discutir arte e suas manifestações causa-me um grande desgaste. Talvez tanto emocional quanto intelectual. Há momentos em que penso: qual a razão de estar discutindo um labirinto incessante, por onde tantas teorias se perderam e foram devoradas pelo tempo, pelo esquecimento, pela incompletude, por um Minotauro? … Mas, quando penso em lançar mão dessas discussões, sinto que estou faltando com uma responsabilidade comigo mesmo.
Eu sei que soa romântico, e talvez um tanto piegas, mas eu sou daquelas pessoas que precisam fazer uso da estética do desenho para sentir-se um pouco aliviado, ou um tanto eufórico. É piegas, eu sei. Mas é como uma droga que ameniza ou intensifica as emoções, ou um diário em que não me mato cada vez que não encontrar as palavras certas para dizer. Mas, para mim, o risco e o perigo do desenho estão na canalização das emoções. Eu sou desse tipo. E, tantas vezes, percebo que escrevi em linhas e cores o que desejei conversar quando não havia ninguém que pudesse entender. Aí, nesse caso, é que percebo a esquizofrenia e o masoquismo do desenho: as dores e as alegrias, a frustração por não conseguir passar ao papel o que se pretende. Isto porque apenas a inspiração não basta.
Fellipe Ernesto
Lápis de cor. Folha A4.
Janeiro, 2011.

