Café frio. Palavras. Papo com botões.
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Por que há tempos em que nada surge?
Por que é tão fácil desenhar? E por que é tão difícil ao mesmo tempo?
Onde estão as ideias?
Onde está “o estalo” que dá força ao braço e nos mostra como é fácil fazer a mais monstruosa linha?
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Devo admitir: discutir arte e suas manifestações causa-me um grande desgaste. Talvez tanto emocional quanto intelectual. Há momentos em que penso: qual a razão de estar discutindo um labirinto incessante, por onde tantas teorias se perderam e foram devoradas pelo tempo, pelo esquecimento, pela incompletude, por um Minotauro? … Mas, quando penso em lançar mão dessas discussões, sinto que estou faltando com uma responsabilidade comigo mesmo.
Eu sei que soa romântico, e talvez um tanto piegas, mas eu sou daquelas pessoas que precisam fazer uso da estética do desenho para sentir-se um pouco aliviado, ou um tanto eufórico. É piegas, eu sei. Mas é como uma droga que ameniza ou intensifica as emoções, ou um diário em que não me mato cada vez que não encontrar as palavras certas para dizer. Mas, para mim, o risco e o perigo do desenho estão na canalização das emoções. Eu sou desse tipo. E, tantas vezes, percebo que escrevi em linhas e cores o que desejei conversar quando não havia ninguém que pudesse entender. Aí, nesse caso, é que percebo a esquizofrenia e o masoquismo do desenho: as dores e as alegrias, a frustração por não conseguir passar ao papel o que se pretende. Isto porque apenas a inspiração não basta.
Fellipe Ernesto
Lápis de cor. Folha A4.
Janeiro, 2011.

Vezenquando me pego refletindo desse jeito sobre as dores&delícias do escrever, Fellipe. Me encanta esse viver outras vidas que a literatura nos permite. Vejo cada texto como um parto; imagino que deva ser assim também com o desenho. Mas disso não posso falar muito, então só admiro
Lipe, não posso falar muito da literatura mas posso falar da arte. O que lhe digo com certeza é q vc não precisa apenas das palavras p/ dizer como está ou q sente…pois atraves de sua arte vc consegue expressar isso muito bem…mesmo q se sinta incompreendido…havera alguem q sempre lhe entendera.
Suas palavras parecem sinceras.
Concordo que apenas e inspiração não basta para se produzir arte, também é preciso talento. E você tem os dois.
Acredito que a relação do artistia com a Arte deva ser, como toda relação séria, repleta de (auto)descobertas e fases, com bons e maus sentimentos fazendo parte do processo. A boa arte deve demandar dedicação, reflexão.
Por isso confusões e inseguranças são bem-vindas. A arte que não tem conflitos está morta.
Pois é…
Depois do que Aurélio disse nem é preciso comentar muita coisa. Mas compartilho do incômodo, principalmente, após aulas e aulas de Teoria do Discurso Literário! huahauhauhauhau!
Só me restou uma certeza: a arte é aquilo que fazemos dela. Eu, pretendo ser bem carinhoso…
Aurélio, gostei particularmente da sua última frase: “A arte que não tem conflitos está morta.”! Concordo plenamente contigo, e isso se descobre cada vez mais forte à medida que adentramos no universo da arte, seja para brincar com ela, fazê-la ou discutí-la e “destruí-la” (o que não considero que se possa destruir a arte, mas, talvez, o sei conceito).
A dedicação e a reflexão são duas coisas que me destróem (devo dizer). Não digo que seja mau, mas que a seriedade com que se deve levar a produção do objeto artístico faz um desgaste emocional, físico e racional muito grande (isso quando você se propõe a cumprir os objetivos que você pretende com a obra que pretende realizar).
E, por último, concordo com você que o “talento” tem um “Quê” de especial no objeto artístico; por mais que estudos e discussões teórico-acadêmicos tentem negar a existência de um “elemento” que, ao mesmo tempo se faz presente na materialidade do objeto (de arte), também remete à uma justificativa teológica (em razão de os teóricos não darem conta do que seria o “talento” na arte…)!
É verdade, Wesslen! E eu diria que não apenas a disciplina “Teoria do Discurso Literário”, mas todas as disciplinas que se prestam à reflexão artística (por mais que suas discussões sejam restritas à uma discussão mais política e social que artística…). (risos!!!)
Eu só teria a acrescentar algo sobre: “arte é o que fazemos dela”… (Já discutimos tanto sobre isso, não foi? Até quando falamos sobre “um bom livro é o que fazemos dele”; e “uma boa coisa é o que fazemos dela”… Pelo visto, você gostou mesmo dessa discussão… kkkkk)
Parece que, na base desse pensamento, o que realmente importa é o modo como enxergamos, lidamos e apreciamos um objeto artístico… Mas te digo por experiência: eu sou fissurado em arte, em como ela se apresenta para mim. E não adianta todo o carinho do mundo; esteticamente, ela nunca está saciada com o que tem… (kkkkk!)