RE-pensar a estética

21 04 2011

Uma inquietação. Dos centros de discussão sobre estética tradicional. Sobre essa bíblia.

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Estou inquieto:

Será verdade que toda obra de arte de valor tem em si mesma referências ao meio social?

Por que a obra de arte se reduz aos ambientes do social ou do religioso, ou, quando muito pouco, à defesa de implantações políticas e educacionais humanas?

 

E se, ao final de tudo, a arte for um sonho ideológico, uma linda utopia, que sustentamos para dar às discussões políticas uma sustentação bonita, onde homens e mulheres são humanizados pela apreciação artística?

Toda obra de arte é apreciativa?

Ou, no jogo de romper fronteiras, a obra de arte se molda às novas necessidades e descobertas intelectuais não explicadas pelas bíblias da Estética?

 

Em processo.

 

 

 

Ora, convenhamos: discutir arte é interessante. Numa roda em que se discute, diz-se de longe que ali estão os mais interessantes intelectuais, preocupados com a preservação da obra de arte e com a valorização da arte. Mas, em muitos onde se discute arte, aproximamo-nos e descobrimos que a conversa não evolui: centra-se na bíblia estética consagrada e já em desuso.

Não dá para levar à máxima tudo o que se diz sobre arte.

Para existir aos homens, ela, de alguma forma, sustenta-se na subjetividade individual; espaço onde nenhuma estética se sustenta e lá perde forma.

 

Talvez seja o momento de intelectuais repensarem suas teorias, sendo maleáveis, e utilizando do bom senso de que, algum dia, o que foi ditonão cabe integralmente à atualidade do pensamento estético, artístico e social, pois a sociedade e os tempos evoluem de alguma forma, e, com eles, a arte e o pensamento artístico também se desenvolvem.

 

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[Reticências]





Traços d”os poemas”

14 04 2011

Desenho. Mais que ilustração. Traços de poesia. Cores. Aquarela-versos.

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Minha versão do poema de Mário Quintana: que me perdoe frouxidões.

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A uma pessoa que, atrevida em risonhas ironias, põe-se a proferir em alto e bom tom versos que amedrontam até os mais experientes leitores de literatura; e espanta a quem a ouve, pois os versos transcritos ao vento repassam as mesmas estruturas que ainda há no papel…

A essa pessoa este desenho, pois ela, sem saber, fez-me novamente escrever, sentir-me de algum modo reencontrado na prosa, nos riscos da Literatura e da arte.

 

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Em ruínas

10 04 2011

Um (longo) registro. Café esfriando. Tapioca. Diário de bordo, mudando de fase, as ruínas da academia.

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Em Maragogi, no Estado de Alagoas, há um mosteiro em ruínas escondido em um ponto alto, e já muito desgastado pelo tempo, pela maresia e pela população. Visitei esse mosteiro de nome Mosteiro de São Bento há poucas semanas atrás, final do mês de março…

 

O lugar me causou grande impacto: em ruínas, poucas paredes permanecem em pé, e o cemitério dos monges foi reutilizado na década de 50, 60 (e até mais recentes que isso), além de ter sido construído um cemitério para a população bem próximo a esse mosteiro. Algumas tumbas estão abertas, e podemos ver o caixão e os ossos de alguns monges sem-nome. As paredes (muitas derrubadas) são grossas e parte do piso permanece no local, já sem teto. A vista da frente do mosteiro nos mostra a praia de Maragogi, e ao fundo vemos um cemitério fechado e uma nova capela com a porta sendo arruinada pela maresia. O lugar, ao meu ver, é impressionante e de forte impacto; acho que pela degradação e pelo que pode ter sido aquele lugar. Ainda podemos ver alguns lugares onde possivelmente carregou duas imagens no oratório, além de alguns vestígios de velas acesas todas as noites pela população em volta. Em suma: um lugar histórico, degradado (como muitos em Alagoas), fortemente carregado pela religiosidade e pelo espírito da morte.

 

 

 Relembrando esse lugar, tenho a impressão de que dentro de mim um mosteiro se destruiu; as ruínas do que ficou parecem pesadas de serem carregas, e já não há razão visível para eu acender as velas em culto ao passado: descobri ali, no local que um dia foi o Mosteiro de São Bento, que tudo à minha volta não tem a mesma forma de novidade, e eu não me dei conta de que a maior mudança foi dentro de mim.

 

Algumas pessoas próximas se foram. Umas deram adeus: seguiram suas vidas ou foram dormir a sete palmos. E outras ficaram onde as deixei, pois fui eu quem parti de suas vidas. Percebi coisas que já não me são mais importantes; que conceitos de vida ficaram para trás; atitudes e sonhos se dissiparam feito ruínas. Alguns interesses pessoais permanecem (ou será outra mera ilusão?), e outros interesses se destróem diante de mim, e eu os assisto como quem vê o fogo queimar papéis e lançar faíscas nas cinzas do que resta

 

Sempre tive consciência de que a vida segue fases, e a cada uma delas um momento de transição separa o que passou e o que está por vir, mas não pensei que o passado sofresse a ruína e o desmoronamento do descaso e da distância com o presente; não pensei que o passado morresse dessa forma, como o Mosteiro, dentro de uma só pessoa. Talvez porque, até então, eu tenha superado a idade dos vinte anos, e sentido agora o peso de uma vida adulta. Talvez antes eu apenas fosse um garoto que aprendia com as experiências dos mais velhos, mas que até então não aprendera muito mais com suas próprias experiências de amadurecer

 

 

O tempo já me pesa para algumas coisas, como a percepção de que muitas coisas na vida são desgastantes, tristes e enfadonhas (como as instituições públicas e acadêmicas), e que, apesar de vermos a nu a decadência do lugar, não é tão fácil recuperar os caminhos perdidos e os investimentos jogados ao vento que poderiam, se não recuperar a importância do lugar, ao menos lançar ao futuro uma nova perspectiva e um funcionamento que realmente funcione na nova realidade. É como ver as paredes do antigo Mosteiro já tão desgastadas e que logo mais poderá não resistir e será esquecido, entrando em falecimento na memória, correndo o risco de perder a sua historicidade e sua imagem religiosa para o conforto dos que ficaram e para a proteção e fé dos que pretenderem crer…

 

 

Mas infelizmente os setores e órgãos públicos e acadêmicos persistem em suas velhas formas de funcionamento, agarrando-se ao “poder” supérfluo de um pequeno grupo que atém o controle do funcionamento do estabelecimento que se desgasta e se arruína perante os nossos olhos

 

A ruína dentro de nós mesmos pode ser impactante aos nossos sentidos. Mas, com certeza, nenhuma ruína é mais severa do que aquela que acontece nos órgãos públicos e acadêmicos que, em teoria, deveria nos apoiar diante do desenvolvimento social, político e cultural; e isso, é claro, supõe apoio e investimento aos que procuram na Universidade (e nos demais órgãos públicos) o apoio e o incentivo para se desenvolverem e cuidarem de suas saúdes físicas e intelectuais, com um funcionamento verdadeiramente responsável e comprometido.

 

 

 

Fica aqui o registro de um lugar que poderia ser Patrimônio Histórico (Mosteiro de São bento). Fica aqui o registro (leve) do desgaste que, aos poucos, corrói as paredes da intituição pública (mais especificamente algumas universidades).

 

E fica o registro,

com café e tapioca,

de uma transição de percepção dos sentidos e das experiências; transição à qual somos sujeitos involuntários, e sempre seremos postos a novas provas.

 

Tin tin.

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