Autorretrato

12 05 2012

 Narciso. Nostalgia da juventude. Sem mais.

N

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Deixarei você, caro leiror, a sós com imagens de mais um processo de criação.

Um autorretrato, de um tempo em que eu gostava mais de mim. (risos)

 

Na moldura

“”Em pouco tempo, morreu Dorian Gray: era um jovem que não havia alcançado os vinte anos de idade. Hoje, aos vinte e poucos, ele é um velho porque perdeu o encanto por si mesmo.”

(Fellipe Ernesto. Maio) 

 Tin tin.





O retrato

29 04 2012

Oscar Wilde. Pintura. Processo. Particular.

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Estou em débito com minha pasta de desenhos: contei mais de 5 dezenas, e há muitos ainda em processo.

Então, enquanto não organizo uma boa exposição com muito deles,

fico a pensar, rabiscar e tentar concluir parte deles.

 

 

[...]

 

E uma pergunta interessante:

O que acontece quando

o pintor Basil Hallward  e o modelo Dorian Gray

se tornam a mesma pessoa?

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Um palpite: acontece algo como o desenho abaixo

 

Em processo. Eventualmente.

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Adele

11 03 2012

Sobre desenhos. Adele. Hometown Glory. Lápis, borracha, folhas ao lixo.

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Pergunto-me:

- Adele, why are you so difficult to be drawn?

-  Because you do not understand the makeup on a woman’s face.

(- Adele, por que você é tão difícil de ser desenhada?)

(Porque você não entende a maquiagem no rosto de uma mulher)

 

Vou admitir:

tive sérios problemas para desenhar Adele.

Primeiro, a insegurança e a dificuldade no formato do rosto. Segundo, a maquiagem emagrecedora. Terceiro, o jogo de luz e sombra + o cuidado para não pesar sobre os traços, o esfuminho e o papel.

Foi complicado…

 

                 Logo de início, eu não acreditava que o desenho iria se tornar Adele. Pensei em desistir, mas alguns comentários no facebook me estimularam, quando eu já tinha me dado por vencido e estava a desenhar mais uma Marilyn Monroe (para postar uma homenagem ao filme My Week With Marilyn, tendo  Michelle Williams no papel principal e, na minha opinião, um texto incrível escondido entre as falas).

                 Ocorre que a Adele que eu estava desenhando não me convencia ser a cantora; poderia ser outra pessoa, mas, para mim, não estava sendo Adele. Faltava o olhar, a elegância, o espírito forte em um corpo jovem… Para mim, a força da voz e a jovialidade do olhar escondido sob a maquiagem era o que definiria a MINHA Adele.

 

Então, o processo que se iniciou ontem (à noite) terminou hoje pouco antes de meio-dia.

E deixo vocês com apenas imagens para olhar, e admirar (caso queiram).

 

A versão que não estava satisfazendo... (direitos reservados)

O início da segunda versão. (Direitos Reservados)

A segunda versão em andamento (Direitos Reservados)

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        O resultado de ADELE:

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   E um exemplar das duas versões lado a lado, para comparação.

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Valeu a pena recomeçar o desenho.

Não pela perfeição, mas para alcançar o que eu procurava no desenho de Adele: a jovialidade sob o olhar que esconde a força do espírito e da voz.

Essa é a minha Adele.

(E fica meu agradecimento aos que me ajudaram a encontrá-la, pelas mensagens de estímulo.)

 

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Tin tin.

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Ps.: Um brinde às mulheres! Depois desse processo-adele, devo admitir que maquiadores são artistas, e mulheres são obras de arte (isso eu sempre soube).

Ps.2: Não se ofendam mulheres, mas ainda bem que homens não precisam de maquiagem… é que prefiro ficar só no papel… (Coisa difícil isso de maquiagem!)

Ps.3: No fim das contas, valeu pensar que a maquiagem da Adele tem algo de bad girl. Fica a dica.

 

 





Re|pensa|ndo

28 06 2011

Pensando / Desenhando. Status: verbos do particípio.

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Decidi me dedicar um pouco à leitura teórica sobre desenhos: cores, traços, movimentos culturais, perspectivas históricas e pensamentos filosóficos e artísticos.

E devo dizer que na leitura perdemos a ingenuidade e, aos poucos, sentimos a necessidade de formar o nosso próprio pensamento artístico. Tomar partido, ter uma visão unilateral das coisas. (Embora eu duvide da possibilidade de se ter uma visão unilateral da arte; a tão múltipla arte…)

 

Daí, pensei neste blog.

Há 3 anos que está na internet, com postagens mensais (ou, às vezes, semanais). E desde o início OllhO’s Blog se consolidou (para mim) como uma série de ‘ensaios’ sobre traços, cores e principalmente sobre os bastidores do desenho: busquei deixar claro que não há mágica aos traços, mas, sim, um exercício em processo.

E hoje em especial estou relendo as postagens antigas do blog: quanta besteira…! (risos)

Já não sei mais da total validade das antigas postagens para meu pensamento artístico neste presente momento.

No entanto, há uma certeza que permanece desde sempre:

 

Sinto que existo enquanto tracejo e rabisco;

e o que mais quero é simplemente desenhar, dar cor, em liberdade.

 

Tin tin para a vida.

 

 

 





Aura da obra de arte

15 06 2011

Um escrito. Breve. Da aura dos traços e das cores. Doces, salgados e refrigerante.

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Walter Benjamin, ensaísta, crítico literário, sociólogo (e tantas outras coisas que ainda não sei), certa vez escreveu sobre a destruição da aura que envolve as obras de arte, em razão da constituição do objeto de arte individualizado e único.

O problema (para quem resolver estudar e se aprofundar um pouco mais) é um tanto mais complexo do que se pode descrever nesse blog, mas, em geral, tenho apenas uma consideração:

 

Talvez, muito provavelmente seja eu um pastiche romântico, masquando desenho… não sei por qual ventura… tenho a impressão de que os desenhos e as cores emanam uma aura.

Desenho em processo. 66cm x 48cm (aprox)

E é por isso (e enquanto houver aura) que eu me aventuro a desenhar e dar cor; mesmo quando muito cansado e quase desistindo de tracejar e colorir.

 

 

 

Um brinde à arte; e aos que, de alguma forma, amam a arte.

Tin tin.

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indo para o oeste

16 05 2011

 Pensolhos: é tempo de preparar uma nova viagem.

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Tenho pensado em fechar meus ollhos por um tempo: sentir arte e pensar sobre ela cansam, e ouvir o que muito se fala em rodas de estética parece-me exaustivo e lamentável…

Aos poucos, vou sentindo pessimismo quanto à discussão sobre arte, desenhos e coisas afins. Dá-me a impressão de que muito sobre arte já não se discute; ou por que muito já foi discutido, ou por que vivemos a destruição de muitas ideias conservadoras sobre arte, de modo que agora estamos catando os cacos do que restou para tentar colar as peças que (sabemos) não se juntam mais: algumas crianças (brincalhonas e peraltas) adentraram na sala proibida da Casa da Vovó e quebraram vasos, porcelanas, objetos decorativos, estátuas de mármore, pinturas em tela, desenhos de aquarela e tinta óleo

 

“E agora, o que nos restou?”

 

Como se diz sobre a linha do tempo: o passado se foi e não volta mais. Nada mais será como já foi um dia.

Os cacos estão espalhados por aí afora. Aos poucos, catamos as peças que nos parecem viáveis e montamos  a nossa própria arte, com os pedaços que restaram de várias daquelas peças quebradas.

 

Muitas vezes, ao pensar sobre quem faz arte e a sua dimensão no mundo, sinto que estamos perdidos no mar aberto, sem mapa ou direção, boiando sobre alguma coisa que nos serve apenas para manter-nos sobre a superfície. É cansativo nadar quando não se avista terra: a viagem torna-se um fardo, e o aventureiro já não sente os estímulos da aventura: “Qual a razão de continuar essa viagem?”

Os ollhos também se cansam de estarem abertos, e as pestanas já são pesadas e grossas à vista. Estou cansando da minha ideologia para com a arte, para com as pessoas, para com meu espaço. Pode ser que eu precise de uma renovação de conceitos. Pode ser que eu precise de novas cores, novos traços, novos diálogos

Por ora, resolvi-me a uma nova aventura (talvez para tentar novos ânimos por esse mar aberto): vou redescobrir meus antigos traços. Sinto falta deles. Imaturos e infantis, toscos e desproporcionais, com anjos e coringas, com “aquilo”… Gostem ou não, é ali que identifico minha aventura, mesmo que minha perspectiva por meus traços seja tão alheia às perspectivas atuais do nosso tempo que não se define…

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Vou para o oeste:

mudar a rota de percepção,

olhar a discussão pelo escanteio,

refugiar-me com os elfos de Condor.

“Levantar velas”: Tin tin

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De que são feitos os sonhos?

16 01 2011

 Pensamento. Em solidariedade. Sobre sonhos. Sobre a arte de estar vivo.

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Com espaços figurados, ambientes quentes e frios, mesclando o real e o fantástico surreal, entre o erótico e o épico, Salvador Dali trouxe às telas o universo dos sonhos. Das palhetas, dos pincéis e das tintas, as obras de Dali ganharam reconhecimento no mundo inteiro. E agora, em meio à apreciação de suas obras, questionei-me 

Por que, quando os sonhos parecem ser mágicos e fantásticos, rachaduras e estranhismos cismam em compactuar do mesmo espaço, como em obras de Dali?

  

Por que sonhos são derrubados com avalanches e derrubamento de terras que os expõem à fragilidade?

E por que outros sonhos são de aparência frágil, mas são fortes e inabaláveis, ao ponto de permanecem intactos depois do desmanche das tintas?

 

Como são os traços rabiscados dos sonhos, seus contornos finalizados e suas cores sobre papel e tela?

 

Afinal, de que são feitos os sonhos?

 

Desenho em processo: voltando a desenhar...

 

 

  

 

 

 

 

Postagem em memória às vitimas das enchentes no Estado do Rio de Janeiro, neste início de 2010. Que todos os sonhos sejam reerguidos, continuados e conquistados.





Teclas de uma mecanografia pessoal.

20 09 2010

Um texto. Ocio. Um pedaço de biscoito, chocolate e café.

 

 

 

 

Dizem que a época de faculdade é sempre um pouco estressante; ainda mais quando se trata de final de curso. E essa é uma verdade.

Lá vêm o TCC, os estágios e as avaliações de disciplinas eletivas… E nós, pobres universitários, arrastamo-nos cansados e padecidos da formatura e da conclusão de curso. Mas, por outro lado, os últimos meses vão dando espaço para a saudade.

Com certeza, essa foi a melhor época. E junto a isso ficam os processos de amadurecimento para outras etapas da vida; amadurecimento que nem sentimos chegar…

Faz algum tempo que não escrevo algo, uma reflexão sobre arte ou sobre a vida. Mas hoje refleti um pouco sobre ela. A vida. As fotos que mais gosto de apreciar são as de bebês, pois estes ainda são inocentes de seus atos, são puros e belos. Mas, observando a vida hoje, vejo que passei as barreiras do classicismo e do renascimento, de acreditar que a vida tem um propósito sempre ligado à beleza e ao divino, para acreditar também que um pouco de contemporaneidade, de modernidade ligada ao grotesco e ao sublime faz muito bem para viver a vida.

Chega uma hora em que, depois de passar pela adolescência, a sua vida não se torna mais apenas uma grande aventura, mas um longo caminho de constantes aprendizados e muita, muita merda. Quantas coisas eu fiz quando não deveria tê-las feito? Quantas coisas deixei de viver por medo de fazer merda?

E essa ideia do grotesco não vem de hoje. Talvez tenham razão quando dizem que o povo ainda é romântico, que preferem heróis e mocinhas que vivem uma linda história de amor depois de longas batalhas com inimigos derrotados ao final… Mas acho que somos barrocos, renascentistas, clássicos, modernos, contemporâneos, ultrapassadosTalvez o ser humano seja toda uma História da Arte inserida nele mesmo.

 

E hoje, devo dizer, estou romântico. A vida parece sublime, amena, preguiçosa e (repito) uma merda. Tudo parece estar no lugar errado. Mas talvez nem tudo. Talvez de todas as vivências do repugnante, ainda vivemos com o coração no belo…

… ainda que o belo não seja mais clássico.

 

 

 

Um drinque com achocolatado.

Café, para quem desejar.

Tin tin.





Estética da Contemporaneidade

5 09 2010

Um questionamento.

 

Gosto de pensar; embora saiba que esta é uma atitude masoquista.

Pergunto-me:

Há lugar para o BELO na arte contemporânea?

Ou a busca pela beleza está enterrada pelos modernos?

Há espaços para pensar no belo?

Ou foram sepultados todos os anjos pela estética contemporânea?

 

 





Existe função social na arte?

28 06 2010

Sem café. Sem bebidas, sem biscoitos. Apenas miolos.

 

                      Estou a pensar: qual seria, hoje, a função social da arte?

 

                     Houve um tempo em que a Arte esteve em função do destino e dos registros de caça nas paredes de cavernas primitivas. Depois, a Arte esteve em função das divindades, do registro físico e poderoso das mesmas para servir de adoração aos deuses vaidosos na Terra. Houve também o tempo de serviço à religião católica do tempo da Inquisição, sob o pretexto de transformar homens e mulheres através da delicadeza dos traços milimetricamente feitos sobre afrescos e telas. Mas outra função destacável parece caminhar lado a lado de qualquer uma dessas: a de representar, fixar, deixar registrado um momento histórico, um busto/retrato de uma pessoa influente.

                    E hoje? Qual a função social da Arte?

                    Arrisco dizer que por aí afora esperam que a arte tenha efeitos no campo da Educação: pela reabilitação de pessoas e pela educação social, cultural e intelectual nas escolas, nas ruas, nas cadeias, nos hospícios, nas salas de psicólogos.

                    A monarquia está extinta, o clero não usufrui de tendências contemporâneas em suas renascentes igrejas, a aristocracia (sob outro nome) usufrui da Arte de leilões que se acopla em suas casas

                    E a Arte dos artistas de hoje, qual a função social? Existe alguma?





Uma primeira impressão: a Arte e Literatura na Era da Tecnologia

7 03 2010

Eu aviso: um ensaio muito chato de ler. Vocabulário de quem quer escrever, mas está impaciente: eu.  

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Se de um lado a tecnologia dispõe de espaço de interação por meio da participação capaz de modificar os rumos dos jogos e da percepção, a literatura, que também dispõe da interação, pode sentir o desgaste da relação leitor-livro; relação muitas vezes proveniente de diálogo silencioso entre as partes. 

Numa era de extremos, onde a tecnologia acompanha uma sociedade em processos cada vez mais rápidos, o livro que possuir pouco mais de 100 páginas raras vezes atrai a atenção de crianças, jovens e adultos. 

A verdade é que a tecnologia já ganhou muitos rounds e espaços nas casas, inclusive, de pessoas de baixa renda: uma boa televisão, aparelho de DVD, um celular da última geração são partes de uma lista de prioridades em que o livro não faz parte. Assim, o livro é considerado um objeto de status, um tabu que já se consolidou: o intelectual se forma pela quantidade de livros que já leu… 

Pais que não têm o hábito da leitura requerem cada vez mais que seus filhos sejam casos raros com livros debaixo dos braços, pendurados na cabeceira da cama, guardados e acumulados sobre uma estante. Mas não digamos que filhos de pais não leitores herdarão essa mesma característica. Nem sempre filho de peixe é peixinho; um mestiço pode surgir de onde menos se esperar: com o incentivo da escola ou de amigos leitores, uma criança pode vivenciar a descoberta pelo prazer de ler um livro, de revirar as páginas, de passar os olhos sobre as frases, de vivenciar a história narrada ou até as palavras versificadas

Difícil não é fazer gostar de jogar vídeo game e impossível não é incentivar a ler.  

Parece que, nesse espaço, a Arte também tem que se modificar, transformar-se e adequar-se às novas exigências humanas. Não temos mais prazer em transbordarmos horas a fio parados em um só lugar enquanto, do lado de fora de nossas casas, um mundo de aventura e dinamismo se apresenta tentador! Infelizmente, palavras escritas não encontram pessoas que tenham o hábito de trazê-las à voz; isto é, ler um livro em voz alta. Os amigos não se encontram para ler e trocar sugestões para leitura; mas para cantar as músicas da moda, dançar e requebrar até o chão, deixar numa outra pessoa uma marca de sensualidade provocante. A “onda” é dinamizar; ficar parado, só quando dormir! 

Mas a Literatura ainda resiste. Quer dizer: estão fazendo resistir a Literatura. O Cinema encontra nela roteiros de história quase prontos, indústrias de CDs começam a faturar com CD-Book e o universo da Música ainda busca nos livros uma inspiração poética e histórica para composição das letras musicais (embora não muito forte, a poesia e a música ainda mantêm uma relação matrimonial). 

Er… As vertentes são muitas. E a grande questão que gostaria de pôr em cheque: 

  

Quem não prefere passar algumas horas jogando vídeo-game a ler um bom livro? 

 Essa é a realidade: o dinamismo físico-verbal-visual-sonoro da tecnologia compete com o espaço da Literatura em cima de um espaço de luta livre. Quem já venceu alguns rounds: Literatura ou a Tecnologia? Quem sairá derrotado em popularidade? 

 Qual o espaço da Literatura, do Desenho, da Pintura na Era Tecnológica?

  

 

Helena Bonhan Carter em processo _ Direitos Reservados

 

 Desenho em processo: “Helena Bonhan Carter”, no estilo realista.  

Grafite. Papel A3. 

  





Um drinque de xícaras vazias. Há tristeza, há desabafo.

24 02 2010

Um post sobre a escassez de investimento em Formação Artística. Escassez e frustrações artísticas e brasileiras. 

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Quantas são as pessoas que, por desventura dos bens financeiros, não realiza seus grandes sonhos de desfrutar o melhor da Arte? 

Resposta: Muitas! Eu sou uma delas. 

  

Direitos Reservados

Desprovido de condições financeiras que me permitam investir melhor no que mais gosto de fazer (ARTE), minhas condições de sair deste lugar para novos ares é pequena. E assim como eu, muitas pessoas se deparam com a frustração de estar desprovida de realizar esses sonhos, os quais, para outrem, são meros “caprichos que não levam a lugar algum”. 

Diante disso, quando a família e amigos não têm condições de oportunizar chances de fazer algum curso para aperfeiçoamento (por exemplo), temos que nos conformar: 

– Se eles pudessem, eles me ajudariam a realizar um sonho (acreditamos). 

Nós, cidadãos que andam na linha tênue entre a pobreza e a classe média do Brasil, infelizmente nos deparamos com algumas situações de isolamento político-social-cultural-econômico, de forma que, ainda infelizmente, para investir no aperfeiçoamento de suas formas de arte (desenho, dança, música), melhor se sobressai quem alguma condição há de estar nos núcleos artísticos do Brasil. São eles: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais. 

Quem não tem condições financeiras de ir e se sustentar por considerável tempo nessas regiões, ou quem não tem parentesco ou apoio de amigos, dificilmente se felicita com o prazer de estar cursando alguma Universidade (por exemplo) que lhe permita trabalhar com Arte. E há também o caso em que, no Brasil, tem-se a ideia de que, trabalhar com Arte, é um passaporte para morrer na pobreza… (tsc, tsc) 

(Enfim…) 

Vejo a história de uma amiga, e como sua história pode se assemelhar à minha e à de tantos brasileiros

Sylvinha é uma menina (de vinte e poucos anos) que cursa a Faculdade Federal em Letras, e tem em si uma grande paixão e interesse pela Moda

– Mas então por que Sylvinha não faz um curso de Moda?, pode me perguntar você. 

A resposta, muito óbvia: são poucas as condições. Em Alagoas, poucos são os cursos disponíveis nas universidades. Os mais concentrados são os cursos técnicos, jurídicos, médicos e, principalmente, em licenciatura (embora haja a escassez de professores nas escola públicas)… Cursos de Belas Artes, não há.  

Para cursar Moda, Sylvinha teria que se deslocar para outro Estado. 

– Por que não vai? 

“Com qual condição?”, lanço essa contrarresposta! Com a falta de interesse e especialização sobre Arte no Estado de Alagoas, somos todos obrigados a ver pessoas frustradas seguindo carreiras as quais são, muitas vezes, sonhos se seus pais

O que faria uma pessoa como Sylvinha, nessa situação? 

Bem, teria, dentre outras possíveis, duas opções: desistir definitivamente da sua paixão pela moda, afogando-se na frustração de não se sentir realizada interiormente, ou pederia começar a trabalhar por si, comprando uma máquina de costura, revistas sobre moda, estudando sozinha

Mas… Opa! 

Acredito ser difícil encontrar algum lugar neste país em que não haja alguém tentando viver da arte, costurando, pintando, grafitando, pintando, dançando… Mas a verdade é: como toda e qualquer profissão, dá-se melhor quem tem num currículum uma BOA formação. Aí danou-se tudo!!! 

[som de vinheta] Há esperança? Há saída para Sylvinha e tantos outros brasileiros? Há esperança? Há? 

  

A verdade é que não há como calar: temos por herança a crença de que ARTE é algo de elite, e o que estiver ao alcance de toda uma população (também frustrada pela dificuldade de realizar sonhos) pouco tem valor. Acreditamos: o que é popular não presta… E assim, tudo o que não for arte, será chamado: artesanato… 

Será que é assim mesmo? 

Nossas crenças de que nomes importantes são aqueles de quem fez (passado) GRANDES coisas; de quem faz (presente) parte de uma elite que frequentou Universidades, tem status político e se relaciona com outros “grandes nomes” (Diz-me com quem tu andas, e te direi quem tu és: famoso). 

Mas, então, qual seria a saída? Por onde podemos caminhar para conquistar uma “democracia” capaz de oferecer aos interessados as oportunidades que desejam para serem profissionais realizados naquilo que sentem demasiada paixão? Quais os possíveis caminhos para seguir? 

Alguém se manifesta publicamente? Pensaram em alguma proposta? 

Sinto que, mais uma vez, uma problemática social que envolve a Arte nos faz calar a boca, e, ou perder as esperanças, ou buscar algum meio (ainda que um pouco frustrante) de viver com uma esperança interna; como se essa esperança fosse uma pequena chama de uma vela comum, prestes a se apagar com a ventania que insiste em nos fazer acreditar: a Arte morreu.

 

 





Uma nova conversa. Uma defesa apaixonada.

11 02 2010
Talvez frágeis argumentos.
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Direitos reservados

 

Noutra postagem, falei sobre alguns dos GRANDES artistas da Humanidade. E como não poderia deixar por menos, citei Leonardo da Vinci.

Comentei sobre uma de tantas pesquisas que há sobre o gênio: o mapa astral (numerológico) que tende a comprovar a existência de traços femininos na sua personalidade. E isso é interessante para pensar que a curiosidade de muitas pessoas tende para a revelação da vida pessoal de celebridades, estando elas vivas ou mortas, não importando a quantas andam os seus corpos nos túmulos seculares

Muitos estudos tendem a investigar os graus dos relacionamentos permeados entre pessoas X e Y. E talvez isso tenha um forte, interessante e não-descartável argumento: investigar para descobrir e expor o quão humanos foram nossas Celebridades Idolatradas pode nos fazer perceber a nossa capacidade de também realizar grandes feitos. E isso, sem dúvida, incentivar-nos-ia a adquirir novos posicionamentos perante a sociedade escassa de valores, na qual vivemos.

 

Mas a minha defesa aqui vai por outro caminho.

 

Não defendo que sessem os estudos de “revelação” do âmbito pessoal do artista. Pelo contrário, para alguns casos e estudos, defendo que o lado pessoal está, sim, atrelado a um melhor entendimento sobre a arte e o trabalho de qualquer ser humano.

Isso implica dizer que eu acredite na seguinte ideia: para olhar e apreciar feitos, seria mais interessante e justo apreciar a técnica e o “objeto”, e não a quem fez.  Objeto e técnica podem (e seria mais interessante se) estar notoriamente em distintos lugares. Pois, olhando uma obra de modo independente a quem a fez, poderemos perceber marcas de sensibilidade, perspicácia, agilidade e técnica que, muitas vezes, um sujeito tímido não deixaria perceber em seu comportamento social. É como dizem sobre livros: mal faz quem o julga pela capa…

 

Mas minha defesa ainda não é esta…

 

Veja-se que, em rodas de amigos e conhecidos, muitos me falam que, em meus desenhos, ainda há muito de mim: seja o olhar de uma figura, seja a boca, seja uma expressão, seja uma “áurea” (como diriam os clássicos e românticos).

Mas então que, atentando-me ao conjunto de obras de Grandes artistas, como, inclusive, Da Vinci e Bouguereau, pude notar: até eles puseram algo de muito similar entre todas as obras, e algo que, se pudermos ollhar seus autorretratos e suas fotografias, perceberemos marcas de suas expressões, de suas naturezas, de suas referências físicas (modelos que aparecem em mais de uma obra).

Foi daí que pude perceber “coisas“. Para nossos feitos, dificilmente não iremos por nossos toques, nossas “particularidades(salvo copiadores, obviamente; em alguns casos, também com excessão de artistas que estão iniciando o processo de descoberta de sua personalidade artística, de sua marca na Arte)

Na Arte, nossos ollhares se fecundam com nossa técnica, com nossos objetos, nossos filhos, nossas proles ou criações, ou produções, ou invenções

Na Arte, nossas particularidades passam a não estar apenas em nós, mas em nossascoisas“, as quais foram tocadas por uma mão, um sopro, um gesto, um movimento, um olhar, um salto

Na Arte, parasitamos o mundo com uma revelação pública sobre o modo como vemos o mundo, como o enxergamos, como pretendemos provocá-lo, criticá-lo, denunciá-lo, elogiá-lo, como pretenderíamos transformá-lo, percebê-lo

Na Arte… Quer dizer, na NOSSA Arte, duplicamos nossa essência, transformamos a sensibilidade tão abstrata no contreto artístico do papel, do filme, do movimento, do palco, do som…

Na NOSSA… quer dizer, na MINHA Arte, expresso-me não diferente de tantos outros que FAZEM arte. Faço em comum, silencioso e natural acordo de que, para fazer uma arte autêntica, distinta das outras, precisamos recusar o demasiado uso de técnicas prontas, apropriar-nos delas e amadurecê-las (sem tomar a ingenuidade de acreditar que uma Arte não tem precedente)… Para fazer uma arte autêntica, posso ter infinitos caminhos, dentre os quais, algum deles, poderá levar ao Objeto Artístico a sua AUTONOMIA (como muito houve: personagem e telas se tornam muito mais conhecidas que seus “criadores”). Mas tal autonomia não quererá dizer que o arista não esteve presente na fecundação daquele objeto de arte: muitos elementos, que não são um óvulo e espermatozóide, casaram-se, uniram-se, atrelaram-se, de modo que, talvez, apenas quem já se permitiu ao prazer de fazer arte pode comprovar, presenciar, degustar, testemunhar

É mais ou menos como um dia me falou uma pessoa querida (sobre mim): “Você não desenha; você faz amor com traços”. É assim que percebo a minha relação com a arte: pelo fervor dessa relação, pelo suor provocado pela concentração e desafio dos traços e cores, muito do que é permitido à relação Artista e Arte passa, transporta-se, ao papel, à minha forma de FAZER Arte, denunciar o mundo e transformá-lo; nem que seja apenas para eu mesmo.

 

De café, um novo drinque: “tin, tin“.





Uma conversa. mp4, música e sensibilidade. Sobre Anjos.

26 01 2010

Duas imagens para esta postagem

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Agora é noite de uma terça-feira, quase 23h. E foi hoje, depois que fiz mais um desenho (o que vou postar logo abaixo), que fiquei refletindo sobre a vida: algumas vezes, pessoas se demonstram anjos e estendem uma  mão, num simples, mas grandioso e marcante gesto à vida de outrem. E assim, eu me lembrei de tantas pessoas que já se apresentaram com suas asas-mãos para mim. E como foram grandes as suas contribuições em minha vida…

Percebi que contribuições e mãos se estendem em solidariedade ao próximo através do bater das asas de pessoas que são anjos. E como é bom percebê-los em volta! E como é bom também perceber-se anjo na vida de alguém.

A solidariedade, a generosidade, a gentileza… são virtudes que não nos são caras e, quando em comum com a sinceridade, pode render-nos o calor sereno e poderoso do agradecimento.

(Sei que esse blog tem o intuito de expor Arte e talvez eu esteja sendo mero moralista. Mas meu intuito não é aplicar lição de moral, e, sim, escrever um pouco do que gostaria de compartilhar)

Ultimamente, tenho sentido atração artística pelas mãos, uma vez que tenho percebido esses membros como partes do nosso corpo com capacidade também para o toque, o contato com o outro, para uma aproximação sensitiva e emocional (ou uma repugnação, quando emitimos determinados sinais…!); uma parte de também significação, como são os olhos e o sorriso humano. E é um toque, uma marca que podemos deixar noutrem, que me interessa.

Assim sendo, deixo aqui uma homenagem às pessoas anjos, que alguma vez já abriram suas asas para alguém, ou deixaram ver suas penas límpidas sobre a casaca humana. Aos anjos da minha vida, meu agradecimento:

 Estudo das mãos

Mas antes de finalizar tal postagem, gostaria de dedicá-la ainda a alguns anjos amigos, que demonstram asas no laço de fraternidade e prece pelo bem de ambas as partes. A um visitante recente: Belo; à vida, se ela receber tal dedicação; à Gabi, pela carta que me enviou, à qual ainda devo uma resposta.  

 

Meu abraço, e meu pensamento.

 

 

 

 

 

Sobre as imagens: desenhos a lápis de cor. 1) Estudo das mãos. 2) Desenho a partir de foto (da Gabi).





O que nos faz GRANDES artistas?

17 01 2010

Um ensaio: em uma tarde calorosa e aconchegante, com dois cachorros, caneta e papel.

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Dizem por aí, na internet, que um artista é um ser que faz arte. Mas, antes que nos aprofundemos em designar o que é ser artista, deixemos a definição de lado; afinal, antes de um artista, que é arte?

Título: Anjo torto apaixonado. Lápis HB sobre A4.

Título: Anjo torto apaixonado. lápis HB sobre papel A4. Direitos Reservados

Até onde se tem notícia sobre civilizações, e sobre sociedades organizadas política e socialmente, a História do Homem nos apresenta um ser que faz, ou cria, ou produz, ou inventa Arte. E essa mesma História nos apresenta diferentes épocas, conceitos, dogmas e transformações culturais. Mas, dentre outras coisas, fica presente e marcada a figura de um artista de uma época: transformador ou representante de toda a cultura de seu momento histórico, estando, muitas vezes, à frente das concepções e visões de sua época. Podem ser eles Leonardo da Vinci, Michelângelo, Picasso, Van Gogh ou Beethoven, Mozart ou Vitor Hugo, Virgínia Wolf, Edgar Alan Poe ou Marilyn Monroe, Elvis, Chaplin… Todos eles marcaram e receberam, primeiro de poucos e agora de muitos, o título de GRANDES!

Assim, estive me perguntando: o que os (nos) faz artistas notórios, respeitados e um marco histórico?

Seriam apenas nossos status político-artístico-cultural? Nossas habilidades incomuns para com a Arte? Que nos fariam GRANDES artistas?

Aos artistas mais lembrados e respeitados, admitirei aqui aqueles artistas que estão já na História e na cabeça do povo, estabilizados como Mitos, ainda que suas biografias e seus trabalhos sejam desconhecidos pelas novas gerações. E por meio de uma leitura de suas biografias, podemos logo perceber que esses consagrados fizeram de suas vidas uma batalha contra si mesmos, contra o tempo que tentavam aprisionar a eles ou à suas produções, contra a convencionalidade de uma época…

Leonardo da Vinci fez de sua vida um poço sedento por águas do conhecimento, desde a ciência às artes; era, inclusive, músico e cantor, além de inventor, pesquisador…

Michelangelo, pelos relatos, fez de sua arte uma forma de amenizar suas dores da alma e do corpo; o mesmo em carta a um amigo chegou a relatar que, na arte, refugiava-se das dores da perna e dos sofrimentos em sua vida.

Vindo à tona agora em filme, há suposição de que Salvador Dali refugiou na pintura a repressão sexual e romântica; isto é, a relação homossexual reprimida (o mesmo dizem de Da Vinci que, inclusive, “recebeu” recentemente estudos sobre seu mapa astral. Segundo os estudos, há, no criador da Mona Lisa, o perfil feminino na sua personalidade e que comprovaria boatos de sua homossexualidade e relação com um de seus discípulos de atelier… Assim, segundo suposições, Leonardo da Vinci, ao pintar mulheres, estava não só pintando as falecidas mãe e madrasta, mas a si mesmo…).

Picasso, horrorizando a perfeição das formas do corpo humano, em suas últimas fases artísticas, vem a ser mais um a romper (talvez o mérito do rompimento seja seu) uma tendência artística que, de certo modo, idolatrava a perfeição das formas e do corpo humano; tendência que teve como representante William-Adolphe Bouguereau, outro GRANDE artista.

E Vincent Van Gogh, que enfrentou desde cedo sua excessiva necessidade de atenção e carinho, a qual, juntamente com outros fatores, o fazia entrar em crises de loucura (como revelam as cartas de família).

Não só na pintura, mas num todo como Arte, o que fez desses consagrados GRANDES artistas?

Seja na Literatura, na Música ou no Teatro e Cinema, os consagrados têm algo em comum. Daí, concordo com nosso conhecido Orkut: “Grandes trabalhos são realizados não pela força, mas pela perseverança”. Talvez, transformar sua vida em uma lição de trabalho, persistência, crença e defesa por seus ideais, em lição de ousadia e autoconfiança seja um passo para a autopercepção: valeu à pena!

Então, para concluir depois do que escrevi acima, pensei no seguinte:

Espero que nós (ou pequenos, ou medianos ou futuros grandes artistas) sejamos persistentes, capazes de fazer de nosso suor um Hino de Vida e Trabalho digno. E que os nossos ídolos-artistas descansem agora em paz, uma vez que seus legados habitam entre os vivos; mesmo que sejam, para alguns, desconhecidos.

Um “viva” à Vida!





Poesia (?)

19 11 2009

 Um fingimento de poesia

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Um desenho: 

 

 

 

Morte (in)

(sobre desenhos e poesia)

De pouco a pouco, morre em mim o poeta

                            – E que diferença faria, dentre muitos de tantos que há.

De instante em instante, afogo-me em palavras mudas,

Sem fonética ou morfologia, sem sintaxe.

                            – E que marcas têm, se não incomunicáveis.

 São palavras de traços, cores e linhas.

                           – Por que sua expressão é essa, senão outra…





Sobre mulheres

17 11 2009

Uma brincadeira: mulheres, tipos e cores.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 





Releitura de pintura

11 11 2009

Um detalhe, uma releitura

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Abaixo, uma releitura que fiz de uma pintura.
Um detalhe da pintura, é bem verdade.
 
A pintura original é de Da Vinci, e chama-se:
 
 
Detalhe de "A virgem e o menino com Santa Ana"

Releitura de detalhe _ "A virgem e o menino com Santa Ana"

 

 

Descrições:

Lápis de cor, HB, pastel seco

Folha A3

 

 

 

E, falando em Da Vinci… gostaria de colocar aqui um pensamento que,

segundo dizem pela internet,

ser do mesmo:

“Tudo o que está no campo da realidade já foi sonho um dia”





A mulher e o espelho

7 11 2009

Desenho finalizado

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.foto

 

 

A foto acima é para comemorar:

finalizei um desenho (mais um).

Completamente a lápis de cor (como disse em outra postagem),

o desenho “A mulher e o Espelho” está, finalmente, concluído.

 

Confesso que não suportava mais esse desenho incompleto,

faltando o fundo…

E uma ressalva:

este desenho foi no intuito de, apenas, servir de estudo para anatomia feminina…

E gostei do resultado.

E você?

 





PAGU

26 10 2009
Patrícia Galvão

 

 

 

 

Essa semana conheci um pouco sobre Patrícia Galvão; ou talvez, PAGU.

Sua biografia é talvez extensa, e ainda pouco conhecida.

Quando li “Natureza Morta”, um de seus poemas, senti vontade de ilustrar os primeiros versos…

Eis que deixo aqui no blog esse registro: um desenho, ilustração, no mais completo estilo “Fellipe Ernesto”, como um ollhar ao poema de Solange Sohl (pseudônimo de PAGU).

 

 

              NATUREZA MORTA

Os livros são dorsos de estantes distantes quebradas.

Estou dependurada na parede feita um quadro.

Ninguém me segurou pelos cabelos.

Puseram um prego em meu coração para que eu não me mova

Espetaram, hein? a ave na parede

Mas conservaram os meus olhos

É verdade que eles estão parados.

Como os meus dedos, na mesma frase.

Espicharam-se em coágulos azuis.

Que monótono o mar!

 

Os meus pés não dão mais um passo.

O meu sangue chorando

(…)

 (Solange Sohl [PAGU], 15 de agosto de 1948)

 
 
Ilustração a partir do poema NATUREZA MORTA, Solange Sohl (PAGU), de 1948.

Ilustração a partir do poema "Natureza Morta", de Solange Sohl _ Desenho: Fellipe Ernesto

 

Desenho a lápis de cor e pastel seco em papel canson A4.

(Por que a scanner parece alterar o desenho?)

 

 





De dentro da cartola

19 10 2009

Algo direto da caixola

 

 

Folheando um dos meus tantos cadernos, encontrei um texto rabiscado e não revisado, que escrevi no ônibus em retorno para casa.

Quê tem relação esse texto com o blog?

Tem que, ao relê-lo, lembrei-me que esse texto me serviu para criação do meu primeiro desenho feito em cartolina; e já divulgado aqui no blog: “Eu, Mágico“.

Na postagem, divulguei que o desenho é um autorretrato, tendo eu 4 ou 5 anos de idade. Mas alguns fatos não comentei. Assim, peço licença (e gostaria de obter paciência) a vocês para abrir um pouco da minha intimidade e contar-lhes sobre um dos meus primeiros desenhos…

Quem me conhece há algum tempo, sabe bem da minha paixão pelo Teatro – Afinal, foram 10 anos de teatro amador e entrega total aos sonhos e peças teatrais. Não é por menos que, aos 4 anos de idade, desenhei um mágico sobre um palco, com coelho na cartola e varinha nas mãos, recebendo os aplausos de uma platéia. Esse foi, acreditem, meu desenho de atividade na escola, quando a “tia” pediu que desenhássemos o que gostaríamos de ser quando crescessêmos. E meu grande sonho sempre foi estar sobre o palco, ouvindo os estalos dos aplausos, e fazendo alguma mágica; uma grande mágica…

E daí?

Bom, a partir desses dados, os quais me foram contados pela minha mãe, relembro que até os meus 12 anos eu brincava de fazer cenários de peças de teatro em meu quarto. De praias à varanda de “Romeu e Julieta”, reproduzi em folhas coloridas e em tamanho grande coqueiros volumosos que ficavam de pé, a sala de magia do Mago Merlim, até ganhar, de minha mãe, uma escada de três degraus e fazer, a partir dela, uma varanda, uma nave ou um altar para Santos.

Poderia ser mais breve?

Claro, serei breve (pedi-lhe paciência). Não costumo contar essas coisas para tantos; acredito que muitos dos que me conhecem mal sabem desses fatos…

Enfim que, no tempo de produção do desenho que falei acima (e postado novamente abaixo), escrevi um texto sobre como seria o meu mágico. Isto é, o Eu, Fellipe Ernesto, Mágico. Eu, Mágico.

E seria (ou é) assim…

 

               Meu mágico tem poder.

               O mágico é a figura que faz, realiza, ilude, engana e provoca ao enganar. O mágico é conhecido por uma cartola, representação de um pequeno e misterioso mundo de objetos, segredos, truques e malícia.

               A varinha é como um “lápis” que constrói, que realiza; é a ferramenta para execução.

              As mãos, que são figuras para encontro de duas quintas de irmãos, são como asas que os insetos mechem, fingindo ter milhões de asas unidas a duas paradas; na ilusão do movimento, parece haver muito mais que cinco dedos ou um par de asas. E que sejam ilusoriamente sagradas como as coloridas e transparentes asas das borboletas ou místicas como as verdes asas das esperanças.

               Os olhos do meu mágico devem ser como um par de preciosas pedras magnetizadas à atenção.

               Se houver capa, que elas sejam dançantes como asas de cisne a pousar num límpido e sagrado lago de um castelo em fantasia.

 

(Fellipe Ernesto, em algum mês de 2009)

 

 

E o desenho; resultado do processo, das memórias, da concentração.

Meu abraço.

 

Direitos reservados

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Uma conversa. Lápis, café e notebook.

30 09 2009

 

Minha última postagem foi longa, e ilustrada com imagens de um processo de desenho. E receio que esta presente postagem, destinada aos amigos e sem intuito de divulgar ou expor desenhos, também seja tão longa quanto; ou talvez mais.

Desta vez, o assunto do texto é agradecer e conversar um pouco enquanto, deste outro lado do computador, bebo café e espanto alguns mosquitos insistentes…

Como antes já fiz, gostaria de dedicar e agradecer aos amigos que me têm visitado e comentado, incentivando e colaborando, de alguma forma, com meu desenvolvimento e estudo.

Recentemente, tenho recebido alguns comentários em elogio ao blog, além da estatística que ultrapassa 3.000 visitas – acredite, isso é surpreendente para mim, pois fiz o blog acreditando que não seria divulgado ou que o conteúdo não agradaria a mais pessoas que meu círculo de amigos…

Nesse tempo (deixo claro: um forte agradecimento), amigos me ajudaram a divulgar o blog, pondo, no perfil do Orkut, o site e material que gostaram; é, entre alguns outros que eu talvez não tenha conhecimento, a Rita de Cássia e o Marcelo Filho (Moral).

Amigos também comentaram e estimularam por bom tempo, como a Jecik, que desapareceu por responsabilidades da faculdade e falta da internet (risos).

Outro amigo têm me estimulado por meio de longas e discursivas conversas sobre Arte, em tardes na faculdade, acompanhadas de café e certo ar de revolta (que não consigo esconder ao discutir). Este amigo (o Wilker) segue viagem para outra região do Planeta, levando consigo a primeira adaptação que fiz da Mona Lisa… E gostei muito do resultado, sendo que, infelizmente, não irei divulgar no blog porque não fiz uma cópia antes de entregar ao destinatário do mesmo… Imaginem que, ao desenhar a Mona Lisa, fiz o rosto barbudo e cabelos encaracolados do Wilker sobre o colo feminino e (certo modo) erótico da Gioconda (novos risos)…

Minha mãe continua a mesma mãe de sempre, mas começando a ver com outros olhos o seu “pequeno” artista. Recentemente, temos discutido em razão de alguns desenhos, os quais ela insistentemente os quer emoldurados em seu quarto. A um desses desenhos tenho um profundo (mas profundo mesmo!) apreço. O desenho consta em 4 folhas A3, como um quebra cabeça, formando um palhaço chorando, dos pés à cabeça. O início desse desenho data 27 de dezembro de 2008, e a conclusão temporária, em setembro de 2009. Todo a lápis de cor, e notoriamente inspirado em música e poesia, o desenho também é um dos que Mariana M. mais gosta e comenta, em razão de o olhar do personagem do desenho ser profundo e choroso… – aliás, se eu der esses 4 desenhos, a quem darei? Minha mãe ou Mariana?

 

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E Mari, com a sua certeza de que preciso de um curso urgentemente para aprender a desenhar, salvaguarda-me o ego… (continuo a amando amigavelmente, e rindo, rindo).

A conversa está longa, eu sei. É cansativo ler quando não há uma interação imediata às reações que você, leitor, possivelmente transpareça… Mas calma. Prometo-lhe encerrar em breve.

Quero agradecer ainda ao Wesslen, que tem comentado e posto alguns pontos em questão, dialogando, interagindo ou complementando, algumas ideias da postagem. E sim, é proveitoso conversar sobre arte com os que antes comentei porque, dentre outras coisas como o passar breve e proveitoso do tempo, as ideias parecem complementarem-se, seja na similaridade ou divergência.

E, claro, eu não poderia escrever esses agradecimentos sem comentar uma pessoa que, ao que imagino, não sabe da existência deste blog, mas, por uma pequena atitude e zelo com um desenho que fiz, me tem estimulado, fazendo-me pulular por dentro. Agradeço à mãe da Nique por zelar pelo desenho que fiz, emoldurando e guardando na parede de sua casa; um desenho menor que uma folha A4, mas talvez de maior importância do que uma cartolina A2 poderia suportar. Saber disso me tem deixado feliz, foi um fato curioso e estimulador. Uma atitude que muitos podem ter, mas talvez a esses muitos faltem o zelo pelo material

Outros tantos eu poderia citar. E perdoe-me se assim não fiz. São muitos os que têm importância na construção do meu pensamento, da aprendizagem e da reflexão que vou atrelando aos dias da minha vida… A esses tantos (citados ou não) e ao leitor dessa postagem, meu abraço sob a minha face em risos, como costumeiramente tenho quando agradeço.

 …

E sim, finalizarei a postagem, tendo posto, acima, um desenho como de costume. Aquele é um dos que comentei (quando falei de certo palhaço…). E abaixo, os quatro desenhos, unidos como um só, cuja altura é 1,30m – talvez, vendo-os assim, juntos, você possa sentir o tamanho do meu apreço e ciúmes por esse desenho, o qual pretendo, com muito fervor, dedicar um lugar na parede de alguma exposição que eu vier a fazer da minha Arte; Arte que muito considero!

 

 

Título: SINTONIA    _ Direitos reservados

Título: SINTONIA

 

  

*     Por último, uma observação: meu café esfriou, interrompi a escrita do texto algumas muitas vezes, dois mosquitos foram mortos e pelo menos dois deles circundam o ambiente. Alguém tem Raid?

 





IDENTIDADE

23 08 2009

Afinal, quê é IDENTIDADE ARTÍSTICA?

Identidade artística… isso existe mesmo?

Para começo de conversa, busquei saber o que é Identidade . Foi então na Wikipédia que encontrei uma resposta de que identidade “é o conjunto de caracteres próprios e exclusivos com os quais se podem diferenciar pessoas, animais, plantas e objetos inanimados uns dos outros”, em quaisquer conjunto de semelhantes ou opostos…

Daí, eu m pergunto: como então reconhecer uma identidade?

Na sociedade a qual fazemos parte, IDENTIDADE torna-se um pedaço de papel com impressão em frente e verso, chamado “documento” de identificação, sem o qual e sem “registro de nascimento”, um indivíduo passa a não existir socialmente. Por esse meio, parece-me que identidade é reconhecida pelo meio material: sem o “documento”, uma pessoa não tem “caracteres próprios” socialmente, uma vez que, sem “documento de identificação”, uma pessoa fica desprovida de benefícios sociais como, a exemplo, empregos e participação em programas do Governo Federal…

Dando um salto nessa conversa política-social… Venho questionar se o mesmo ocorre com “identidade artística”.

O que é “Identidade Artística”?

Para um recomeço de conversa, e pensando por agora, parece-me, antes de mais nada, que o conceito de “identidade” se fixa com uma série de reflexões filosóficas… Explico: é como se, para haver IDENTIDADE, fosse preciso, antes e paralelamente, SER e EXISTIR.

Considerando que existo e sou, que elementos compõem a minha IDENTIDADE perante o mundo? Quais são as minhas exclusividades? Como existo?

E na arte, que caracteres possuo como IDENTIDADE?

Mesmo que já morto, algum artista possuiu identidade? A identidade transita com o tempo? Renova-se?

De um artista morto socialmente, mas vivo na História da Humanidade, essa tal identidade artística se renova? Transita pelo tempo? Ultrapassa décadas?

Até quando tem validade uma IDENTIDADE ARTÍSTICA?

[ BUM! ]

Calma. Identidade artística não é um documento, e espero que não venha a ser… Se bem que, na mesma sociedade a qual fazemos parte, há quem considere que um artista existe em função de seu diploma em Belas-Artes… Ou, ainda, exista enquanto favorecimento de amigos e discípulos… Mas…

001No fim de tudo, convenho que a complexidade do mundo e das coisas mundanas existem diante dos meus olhos, e devo ceder diante de “querer descobrir o verdadeiro sentido das coisas, é querer saber demais”.

Então, encerro com um desenho. Um detalhe, na verdade. E dispeço-me ainda refletindo sobre as questões; sobretudo: “Como reconheço uma IDENTIDADE ARTÍSTICA?”

Expressão? Técnica? Traços? Formas? Temática? Cores? Cursos? Aptidão? Exercício? Maturidade?





Expressão

22 07 2009
Direitos Reservados

Pasta de portifólio artístico e desenhos _ Direitos Reservados

 

Hoje, perguntei a mim mesmo: que são desenhos?

Como percebemos um bom desenho?

 

                   Notoriamente, isso está relacionado à estética e ao modo de como cada um de nós entendemos e apreendemos as representações de um desenho. A partir daí, diante do nosso particular conceito do que é Arte, entendemos um desenho e passamos a admirá-los ou rejeitá-los.

                   Não estou aqui fazendo uma discursão acadêmica, e sequer pretendo parecer entendedor profundo do tema. Gostaria, apenas, de compartilhar um pensamento; talvez, em verdade, não um pensamento, mas uma tentativa de entender e conceber parte da minha expressão e percepção artística.

                 Eu grito silenciosamente nas cores que dou lugar, e falo como quem está em constante decomposição dum corpo ainda vivo. Embora meus pés estejam perfeitamente sãos, sinto-os – bem como sinto às vezes o peito e a garganta – como sentiu Miguel Ângelo e, como ele, “titubeio e procuro minha salvação. Atraído pelo vício e simultaneamente pela virtude, o meu coração inquieto me atormenta”. Quando pretendo representar o ser humano, percebo-o em seu semblante horroroso e medonho.

                 Quero a fuga. Quero transformar o que meus ollhos veem. E conquisto, ainda que seja inevitável deixar de expressar uma ponta agulhosa de tristeza. No entanto, a conquista da transformação é a maravilha que me  tranquiliza momentaneamente e me satisfaz a alma quando, vendo o semblante monstruoso do ser humano, encontro nele um ponto de inconformismo com o seu mundo e a real natureza a qual se esconde. É, esse inconformismo, um ponto para criar esperança de que talvez ainda haja uma transformação dos males. Veja-se o mundo que construo para mim mesmo, por querê-lo compartilhado.

 

Desenho em processo _ Direitos Reservados

Desenho em processo _ Direitos Reservados

 

 

 

 





Quanto vale um desenho?

18 07 2009
 
 
 
                     Estive descobrindo novos desenhistas, e não pude deixar de perceber o quanto valorizam sua Arte. E digo “valorizam” em todos os sentidos, pois alguns de seus desenhos em folha canson A4 podem custar quase 500 reais.
                      Em razão disso, posto a imagem abaixo; novamente um desenho em processo.
Desenho x Dinheiro
Desenho X Dinheiro
                     Pode-se perceber claramente que, sobre o desenho, está uma nota em dólar com algumas moedas.
                     A razão disso é provocar em mim mesmo uma resposta que, até então, não obtenho:
 
                     – Quanto vale um desenho?
  
                     Muitas pessoas julgam, para um desenho em folha A4, o valor de 10 reais.
                     – Esse é um valor justo?
  
                    Os desenhos são produzidos e, quando realizados, são únicos: ninguém no mundo terá outro que não seja cópia.
                     – Qual o valor da exclusividade?
  
                     Se não houver técnica, um desenho pode não agradar.
                     – Qual o valor da técnica?
 
                    Se um desenho é produzido com técnica, muitos dirão que falta-lhe um pouco mais de expressão (acredito que mais valha a expressão que a técnica). E expressão não deixa de ser um envolvimento entre artista e objeto de arte.
                   – Quanto vale a expressão?
 
                   Algumas pessoas guardam por uma vida inteira as fotografias sobre um momento especial. Um artista produz um objeto marca de um momento forte para si.
                    – Quanto vale o emocional?
 
 
Afinal, quanto vale um desenho?




6 06 2009
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