a-nexo

5 10 2010

Um poema. Antigo. Talvez não gostem.

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Moderna poesia sentimental

Fellipe Ernesto

 

Rabisca-se algo numa folha qualquer,

Toma-se nas mãos um desconhecido rumo,

Trabalhando a forma – tentando – versos sumos

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Surge no leite sólido as pintas em desenho.

Salpicam as letras, uma após a outra.

Depois, formam-se palavras em sequências loucas,

Como se o ato fosse – de fato – irresponsável.

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Assim se fez a moderna poesia sentimental.

Sem rumo, tomou destino. Desafiou as leis, tornou-se dimensional.

Ausente sentido, quiseram eles que não lhe desse valor!

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Mas o poeta rabisca

Apenas rabisca sem cessar,

Quando, sensível e irracional,

Tenta explicar o inexplicável,

A fim de deixar explodir no leite

O que se poderia expluir uma vida.

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…………  _   …………

…………  _   …………

 

 

 





Teclas de uma mecanografia pessoal.

20 09 2010

Um texto. Ocio. Um pedaço de biscoito, chocolate e café.

 

 

 

 

Dizem que a época de faculdade é sempre um pouco estressante; ainda mais quando se trata de final de curso. E essa é uma verdade.

Lá vêm o TCC, os estágios e as avaliações de disciplinas eletivas… E nós, pobres universitários, arrastamo-nos cansados e padecidos da formatura e da conclusão de curso. Mas, por outro lado, os últimos meses vão dando espaço para a saudade.

Com certeza, essa foi a melhor época. E junto a isso ficam os processos de amadurecimento para outras etapas da vida; amadurecimento que nem sentimos chegar…

Faz algum tempo que não escrevo algo, uma reflexão sobre arte ou sobre a vida. Mas hoje refleti um pouco sobre ela. A vida. As fotos que mais gosto de apreciar são as de bebês, pois estes ainda são inocentes de seus atos, são puros e belos. Mas, observando a vida hoje, vejo que passei as barreiras do classicismo e do renascimento, de acreditar que a vida tem um propósito sempre ligado à beleza e ao divino, para acreditar também que um pouco de contemporaneidade, de modernidade ligada ao grotesco e ao sublime faz muito bem para viver a vida.

Chega uma hora em que, depois de passar pela adolescência, a sua vida não se torna mais apenas uma grande aventura, mas um longo caminho de constantes aprendizados e muita, muita merda. Quantas coisas eu fiz quando não deveria tê-las feito? Quantas coisas deixei de viver por medo de fazer merda?

E essa ideia do grotesco não vem de hoje. Talvez tenham razão quando dizem que o povo ainda é romântico, que preferem heróis e mocinhas que vivem uma linda história de amor depois de longas batalhas com inimigos derrotados ao final… Mas acho que somos barrocos, renascentistas, clássicos, modernos, contemporâneos, ultrapassadosTalvez o ser humano seja toda uma História da Arte inserida nele mesmo.

 

E hoje, devo dizer, estou romântico. A vida parece sublime, amena, preguiçosa e (repito) uma merda. Tudo parece estar no lugar errado. Mas talvez nem tudo. Talvez de todas as vivências do repugnante, ainda vivemos com o coração no belo…

… ainda que o belo não seja mais clássico.

 

 

 

Um drinque com achocolatado.

Café, para quem desejar.

Tin tin.





Uma nova conversa. Uma defesa apaixonada.

11 02 2010
Talvez frágeis argumentos.
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Direitos reservados

 

Noutra postagem, falei sobre alguns dos GRANDES artistas da Humanidade. E como não poderia deixar por menos, citei Leonardo da Vinci.

Comentei sobre uma de tantas pesquisas que há sobre o gênio: o mapa astral (numerológico) que tende a comprovar a existência de traços femininos na sua personalidade. E isso é interessante para pensar que a curiosidade de muitas pessoas tende para a revelação da vida pessoal de celebridades, estando elas vivas ou mortas, não importando a quantas andam os seus corpos nos túmulos seculares

Muitos estudos tendem a investigar os graus dos relacionamentos permeados entre pessoas X e Y. E talvez isso tenha um forte, interessante e não-descartável argumento: investigar para descobrir e expor o quão humanos foram nossas Celebridades Idolatradas pode nos fazer perceber a nossa capacidade de também realizar grandes feitos. E isso, sem dúvida, incentivar-nos-ia a adquirir novos posicionamentos perante a sociedade escassa de valores, na qual vivemos.

 

Mas a minha defesa aqui vai por outro caminho.

 

Não defendo que sessem os estudos de “revelação” do âmbito pessoal do artista. Pelo contrário, para alguns casos e estudos, defendo que o lado pessoal está, sim, atrelado a um melhor entendimento sobre a arte e o trabalho de qualquer ser humano.

Isso implica dizer que eu acredite na seguinte ideia: para olhar e apreciar feitos, seria mais interessante e justo apreciar a técnica e o “objeto”, e não a quem fez.  Objeto e técnica podem (e seria mais interessante se) estar notoriamente em distintos lugares. Pois, olhando uma obra de modo independente a quem a fez, poderemos perceber marcas de sensibilidade, perspicácia, agilidade e técnica que, muitas vezes, um sujeito tímido não deixaria perceber em seu comportamento social. É como dizem sobre livros: mal faz quem o julga pela capa…

 

Mas minha defesa ainda não é esta…

 

Veja-se que, em rodas de amigos e conhecidos, muitos me falam que, em meus desenhos, ainda há muito de mim: seja o olhar de uma figura, seja a boca, seja uma expressão, seja uma “áurea” (como diriam os clássicos e românticos).

Mas então que, atentando-me ao conjunto de obras de Grandes artistas, como, inclusive, Da Vinci e Bouguereau, pude notar: até eles puseram algo de muito similar entre todas as obras, e algo que, se pudermos ollhar seus autorretratos e suas fotografias, perceberemos marcas de suas expressões, de suas naturezas, de suas referências físicas (modelos que aparecem em mais de uma obra).

Foi daí que pude perceber “coisas“. Para nossos feitos, dificilmente não iremos por nossos toques, nossas “particularidades(salvo copiadores, obviamente; em alguns casos, também com excessão de artistas que estão iniciando o processo de descoberta de sua personalidade artística, de sua marca na Arte)

Na Arte, nossos ollhares se fecundam com nossa técnica, com nossos objetos, nossos filhos, nossas proles ou criações, ou produções, ou invenções

Na Arte, nossas particularidades passam a não estar apenas em nós, mas em nossascoisas“, as quais foram tocadas por uma mão, um sopro, um gesto, um movimento, um olhar, um salto

Na Arte, parasitamos o mundo com uma revelação pública sobre o modo como vemos o mundo, como o enxergamos, como pretendemos provocá-lo, criticá-lo, denunciá-lo, elogiá-lo, como pretenderíamos transformá-lo, percebê-lo

Na Arte… Quer dizer, na NOSSA Arte, duplicamos nossa essência, transformamos a sensibilidade tão abstrata no contreto artístico do papel, do filme, do movimento, do palco, do som…

Na NOSSA… quer dizer, na MINHA Arte, expresso-me não diferente de tantos outros que FAZEM arte. Faço em comum, silencioso e natural acordo de que, para fazer uma arte autêntica, distinta das outras, precisamos recusar o demasiado uso de técnicas prontas, apropriar-nos delas e amadurecê-las (sem tomar a ingenuidade de acreditar que uma Arte não tem precedente)… Para fazer uma arte autêntica, posso ter infinitos caminhos, dentre os quais, algum deles, poderá levar ao Objeto Artístico a sua AUTONOMIA (como muito houve: personagem e telas se tornam muito mais conhecidas que seus “criadores”). Mas tal autonomia não quererá dizer que o arista não esteve presente na fecundação daquele objeto de arte: muitos elementos, que não são um óvulo e espermatozóide, casaram-se, uniram-se, atrelaram-se, de modo que, talvez, apenas quem já se permitiu ao prazer de fazer arte pode comprovar, presenciar, degustar, testemunhar

É mais ou menos como um dia me falou uma pessoa querida (sobre mim): “Você não desenha; você faz amor com traços”. É assim que percebo a minha relação com a arte: pelo fervor dessa relação, pelo suor provocado pela concentração e desafio dos traços e cores, muito do que é permitido à relação Artista e Arte passa, transporta-se, ao papel, à minha forma de FAZER Arte, denunciar o mundo e transformá-lo; nem que seja apenas para eu mesmo.

 

De café, um novo drinque: “tin, tin“.





O que nos faz GRANDES artistas?

17 01 2010

Um ensaio: em uma tarde calorosa e aconchegante, com dois cachorros, caneta e papel.

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Dizem por aí, na internet, que um artista é um ser que faz arte. Mas, antes que nos aprofundemos em designar o que é ser artista, deixemos a definição de lado; afinal, antes de um artista, que é arte?

Título: Anjo torto apaixonado. Lápis HB sobre A4.

Título: Anjo torto apaixonado. lápis HB sobre papel A4. Direitos Reservados

Até onde se tem notícia sobre civilizações, e sobre sociedades organizadas política e socialmente, a História do Homem nos apresenta um ser que faz, ou cria, ou produz, ou inventa Arte. E essa mesma História nos apresenta diferentes épocas, conceitos, dogmas e transformações culturais. Mas, dentre outras coisas, fica presente e marcada a figura de um artista de uma época: transformador ou representante de toda a cultura de seu momento histórico, estando, muitas vezes, à frente das concepções e visões de sua época. Podem ser eles Leonardo da Vinci, Michelângelo, Picasso, Van Gogh ou Beethoven, Mozart ou Vitor Hugo, Virgínia Wolf, Edgar Alan Poe ou Marilyn Monroe, Elvis, Chaplin… Todos eles marcaram e receberam, primeiro de poucos e agora de muitos, o título de GRANDES!

Assim, estive me perguntando: o que os (nos) faz artistas notórios, respeitados e um marco histórico?

Seriam apenas nossos status político-artístico-cultural? Nossas habilidades incomuns para com a Arte? Que nos fariam GRANDES artistas?

Aos artistas mais lembrados e respeitados, admitirei aqui aqueles artistas que estão já na História e na cabeça do povo, estabilizados como Mitos, ainda que suas biografias e seus trabalhos sejam desconhecidos pelas novas gerações. E por meio de uma leitura de suas biografias, podemos logo perceber que esses consagrados fizeram de suas vidas uma batalha contra si mesmos, contra o tempo que tentavam aprisionar a eles ou à suas produções, contra a convencionalidade de uma época…

Leonardo da Vinci fez de sua vida um poço sedento por águas do conhecimento, desde a ciência às artes; era, inclusive, músico e cantor, além de inventor, pesquisador…

Michelangelo, pelos relatos, fez de sua arte uma forma de amenizar suas dores da alma e do corpo; o mesmo em carta a um amigo chegou a relatar que, na arte, refugiava-se das dores da perna e dos sofrimentos em sua vida.

Vindo à tona agora em filme, há suposição de que Salvador Dali refugiou na pintura a repressão sexual e romântica; isto é, a relação homossexual reprimida (o mesmo dizem de Da Vinci que, inclusive, “recebeu” recentemente estudos sobre seu mapa astral. Segundo os estudos, há, no criador da Mona Lisa, o perfil feminino na sua personalidade e que comprovaria boatos de sua homossexualidade e relação com um de seus discípulos de atelier… Assim, segundo suposições, Leonardo da Vinci, ao pintar mulheres, estava não só pintando as falecidas mãe e madrasta, mas a si mesmo…).

Picasso, horrorizando a perfeição das formas do corpo humano, em suas últimas fases artísticas, vem a ser mais um a romper (talvez o mérito do rompimento seja seu) uma tendência artística que, de certo modo, idolatrava a perfeição das formas e do corpo humano; tendência que teve como representante William-Adolphe Bouguereau, outro GRANDE artista.

E Vincent Van Gogh, que enfrentou desde cedo sua excessiva necessidade de atenção e carinho, a qual, juntamente com outros fatores, o fazia entrar em crises de loucura (como revelam as cartas de família).

Não só na pintura, mas num todo como Arte, o que fez desses consagrados GRANDES artistas?

Seja na Literatura, na Música ou no Teatro e Cinema, os consagrados têm algo em comum. Daí, concordo com nosso conhecido Orkut: “Grandes trabalhos são realizados não pela força, mas pela perseverança”. Talvez, transformar sua vida em uma lição de trabalho, persistência, crença e defesa por seus ideais, em lição de ousadia e autoconfiança seja um passo para a autopercepção: valeu à pena!

Então, para concluir depois do que escrevi acima, pensei no seguinte:

Espero que nós (ou pequenos, ou medianos ou futuros grandes artistas) sejamos persistentes, capazes de fazer de nosso suor um Hino de Vida e Trabalho digno. E que os nossos ídolos-artistas descansem agora em paz, uma vez que seus legados habitam entre os vivos; mesmo que sejam, para alguns, desconhecidos.

Um “viva” à Vida!





De M.Dolabela a Picasso

16 01 2010

Uma conversa entre umas Artes, uma Notícia, um amigo e um desenho

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Hoje é um sábado, dia 16 de janeiro de 2010, chuvoso e nublado por aqui, em Sauaçuhy (Maceió-Alagoas). E desde a última sexta-feira não cessam as matérias sobre o terremoto no Haiti.

Ainda ontem, no Jornal da Globo, o comentarista Arnado Jabor fez [como sempre faz] comentários muito honrosos. Pelo que lembro, comentava algo sobre por que não nos preocupamos com a miséria do Haiti antes de o terremoto acontecer; como sempre, preocupamo-nos não antes, mas depois, enquanto que a desgraça e a miséria humana apodrecem bem à nossa frente…

Pensando nisso, algumas coisas se misturaram.

Depois de ler a biografia e obras de Vicent Van Gogh, estou lendo Picasso [e que força de traços!]. Daí, resolvi fazer deste post do blog uma homenagem a alguns.

_ Por uma homenagem aos vitimados da miséria que fingimos não ver;

_ Por uma homenagem a Picasso [que adapto aqui aos meus traços e arte];

_ Por uma homenagem ao Marcelo Filho (Moral) [amigo que me presenteou com o livro que contém o poema abaixo];

_ Por uma singela homenagem a Marcelo Dolabela;

                      Por uma homenagem a esses, deixo aqui um desenho de minha autoria, com um poema que me prendeu à página 94:

Sim, meu país é a guerra

 

sim, meu país é a guerra:

luz que já não ilumina;

presente que não espera

a hora que tudo termina;

 

não, meu país é a guerra:

cabeça sem aspirina;

cérebro que desespera,

quando dorme a retina;

 

vê, meu país é a guerra:

batalha sem Hiroshima,

onde a dor não salva quem erra;

 

berro que berra na narina;

ar, meu país é a guerra:

terra, teu nome é ruína.

 

(Marcelo Dolabela, Lorem Ipsus, 1994)

 

 Bem, isso é tudo. Vou-me embora pra novos desenhos, a fim de sentir-me útil.

Até uma próxima!

Título: RUÍNA; pastel seco e óleo e lápis de cor sobre papel; 31,7cm x 21,7cm; 2010




Poesia (?)

19 11 2009

 Um fingimento de poesia

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Um desenho: 

 

 

 

Morte (in)

(sobre desenhos e poesia)

De pouco a pouco, morre em mim o poeta

                            – E que diferença faria, dentre muitos de tantos que há.

De instante em instante, afogo-me em palavras mudas,

Sem fonética ou morfologia, sem sintaxe.

                            – E que marcas têm, se não incomunicáveis.

 São palavras de traços, cores e linhas.

                           – Por que sua expressão é essa, senão outra…





PAGU

26 10 2009
Patrícia Galvão

 

 

 

 

Essa semana conheci um pouco sobre Patrícia Galvão; ou talvez, PAGU.

Sua biografia é talvez extensa, e ainda pouco conhecida.

Quando li “Natureza Morta”, um de seus poemas, senti vontade de ilustrar os primeiros versos…

Eis que deixo aqui no blog esse registro: um desenho, ilustração, no mais completo estilo “Fellipe Ernesto”, como um ollhar ao poema de Solange Sohl (pseudônimo de PAGU).

 

 

              NATUREZA MORTA

Os livros são dorsos de estantes distantes quebradas.

Estou dependurada na parede feita um quadro.

Ninguém me segurou pelos cabelos.

Puseram um prego em meu coração para que eu não me mova

Espetaram, hein? a ave na parede

Mas conservaram os meus olhos

É verdade que eles estão parados.

Como os meus dedos, na mesma frase.

Espicharam-se em coágulos azuis.

Que monótono o mar!

 

Os meus pés não dão mais um passo.

O meu sangue chorando

(…)

 (Solange Sohl [PAGU], 15 de agosto de 1948)

 
 
Ilustração a partir do poema NATUREZA MORTA, Solange Sohl (PAGU), de 1948.

Ilustração a partir do poema "Natureza Morta", de Solange Sohl _ Desenho: Fellipe Ernesto

 

Desenho a lápis de cor e pastel seco em papel canson A4.

(Por que a scanner parece alterar o desenho?)

 

 





De dentro da cartola

19 10 2009

Algo direto da caixola

 

 

Folheando um dos meus tantos cadernos, encontrei um texto rabiscado e não revisado, que escrevi no ônibus em retorno para casa.

Quê tem relação esse texto com o blog?

Tem que, ao relê-lo, lembrei-me que esse texto me serviu para criação do meu primeiro desenho feito em cartolina; e já divulgado aqui no blog: “Eu, Mágico“.

Na postagem, divulguei que o desenho é um autorretrato, tendo eu 4 ou 5 anos de idade. Mas alguns fatos não comentei. Assim, peço licença (e gostaria de obter paciência) a vocês para abrir um pouco da minha intimidade e contar-lhes sobre um dos meus primeiros desenhos…

Quem me conhece há algum tempo, sabe bem da minha paixão pelo Teatro – Afinal, foram 10 anos de teatro amador e entrega total aos sonhos e peças teatrais. Não é por menos que, aos 4 anos de idade, desenhei um mágico sobre um palco, com coelho na cartola e varinha nas mãos, recebendo os aplausos de uma platéia. Esse foi, acreditem, meu desenho de atividade na escola, quando a “tia” pediu que desenhássemos o que gostaríamos de ser quando crescessêmos. E meu grande sonho sempre foi estar sobre o palco, ouvindo os estalos dos aplausos, e fazendo alguma mágica; uma grande mágica…

E daí?

Bom, a partir desses dados, os quais me foram contados pela minha mãe, relembro que até os meus 12 anos eu brincava de fazer cenários de peças de teatro em meu quarto. De praias à varanda de “Romeu e Julieta”, reproduzi em folhas coloridas e em tamanho grande coqueiros volumosos que ficavam de pé, a sala de magia do Mago Merlim, até ganhar, de minha mãe, uma escada de três degraus e fazer, a partir dela, uma varanda, uma nave ou um altar para Santos.

Poderia ser mais breve?

Claro, serei breve (pedi-lhe paciência). Não costumo contar essas coisas para tantos; acredito que muitos dos que me conhecem mal sabem desses fatos…

Enfim que, no tempo de produção do desenho que falei acima (e postado novamente abaixo), escrevi um texto sobre como seria o meu mágico. Isto é, o Eu, Fellipe Ernesto, Mágico. Eu, Mágico.

E seria (ou é) assim…

 

               Meu mágico tem poder.

               O mágico é a figura que faz, realiza, ilude, engana e provoca ao enganar. O mágico é conhecido por uma cartola, representação de um pequeno e misterioso mundo de objetos, segredos, truques e malícia.

               A varinha é como um “lápis” que constrói, que realiza; é a ferramenta para execução.

              As mãos, que são figuras para encontro de duas quintas de irmãos, são como asas que os insetos mechem, fingindo ter milhões de asas unidas a duas paradas; na ilusão do movimento, parece haver muito mais que cinco dedos ou um par de asas. E que sejam ilusoriamente sagradas como as coloridas e transparentes asas das borboletas ou místicas como as verdes asas das esperanças.

               Os olhos do meu mágico devem ser como um par de preciosas pedras magnetizadas à atenção.

               Se houver capa, que elas sejam dançantes como asas de cisne a pousar num límpido e sagrado lago de um castelo em fantasia.

 

(Fellipe Ernesto, em algum mês de 2009)

 

 

E o desenho; resultado do processo, das memórias, da concentração.

Meu abraço.

 

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Uma conversa. Lápis, café e notebook.

30 09 2009

 

Minha última postagem foi longa, e ilustrada com imagens de um processo de desenho. E receio que esta presente postagem, destinada aos amigos e sem intuito de divulgar ou expor desenhos, também seja tão longa quanto; ou talvez mais.

Desta vez, o assunto do texto é agradecer e conversar um pouco enquanto, deste outro lado do computador, bebo café e espanto alguns mosquitos insistentes…

Como antes já fiz, gostaria de dedicar e agradecer aos amigos que me têm visitado e comentado, incentivando e colaborando, de alguma forma, com meu desenvolvimento e estudo.

Recentemente, tenho recebido alguns comentários em elogio ao blog, além da estatística que ultrapassa 3.000 visitas – acredite, isso é surpreendente para mim, pois fiz o blog acreditando que não seria divulgado ou que o conteúdo não agradaria a mais pessoas que meu círculo de amigos…

Nesse tempo (deixo claro: um forte agradecimento), amigos me ajudaram a divulgar o blog, pondo, no perfil do Orkut, o site e material que gostaram; é, entre alguns outros que eu talvez não tenha conhecimento, a Rita de Cássia e o Marcelo Filho (Moral).

Amigos também comentaram e estimularam por bom tempo, como a Jecik, que desapareceu por responsabilidades da faculdade e falta da internet (risos).

Outro amigo têm me estimulado por meio de longas e discursivas conversas sobre Arte, em tardes na faculdade, acompanhadas de café e certo ar de revolta (que não consigo esconder ao discutir). Este amigo (o Wilker) segue viagem para outra região do Planeta, levando consigo a primeira adaptação que fiz da Mona Lisa… E gostei muito do resultado, sendo que, infelizmente, não irei divulgar no blog porque não fiz uma cópia antes de entregar ao destinatário do mesmo… Imaginem que, ao desenhar a Mona Lisa, fiz o rosto barbudo e cabelos encaracolados do Wilker sobre o colo feminino e (certo modo) erótico da Gioconda (novos risos)…

Minha mãe continua a mesma mãe de sempre, mas começando a ver com outros olhos o seu “pequeno” artista. Recentemente, temos discutido em razão de alguns desenhos, os quais ela insistentemente os quer emoldurados em seu quarto. A um desses desenhos tenho um profundo (mas profundo mesmo!) apreço. O desenho consta em 4 folhas A3, como um quebra cabeça, formando um palhaço chorando, dos pés à cabeça. O início desse desenho data 27 de dezembro de 2008, e a conclusão temporária, em setembro de 2009. Todo a lápis de cor, e notoriamente inspirado em música e poesia, o desenho também é um dos que Mariana M. mais gosta e comenta, em razão de o olhar do personagem do desenho ser profundo e choroso… – aliás, se eu der esses 4 desenhos, a quem darei? Minha mãe ou Mariana?

 

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E Mari, com a sua certeza de que preciso de um curso urgentemente para aprender a desenhar, salvaguarda-me o ego… (continuo a amando amigavelmente, e rindo, rindo).

A conversa está longa, eu sei. É cansativo ler quando não há uma interação imediata às reações que você, leitor, possivelmente transpareça… Mas calma. Prometo-lhe encerrar em breve.

Quero agradecer ainda ao Wesslen, que tem comentado e posto alguns pontos em questão, dialogando, interagindo ou complementando, algumas ideias da postagem. E sim, é proveitoso conversar sobre arte com os que antes comentei porque, dentre outras coisas como o passar breve e proveitoso do tempo, as ideias parecem complementarem-se, seja na similaridade ou divergência.

E, claro, eu não poderia escrever esses agradecimentos sem comentar uma pessoa que, ao que imagino, não sabe da existência deste blog, mas, por uma pequena atitude e zelo com um desenho que fiz, me tem estimulado, fazendo-me pulular por dentro. Agradeço à mãe da Nique por zelar pelo desenho que fiz, emoldurando e guardando na parede de sua casa; um desenho menor que uma folha A4, mas talvez de maior importância do que uma cartolina A2 poderia suportar. Saber disso me tem deixado feliz, foi um fato curioso e estimulador. Uma atitude que muitos podem ter, mas talvez a esses muitos faltem o zelo pelo material

Outros tantos eu poderia citar. E perdoe-me se assim não fiz. São muitos os que têm importância na construção do meu pensamento, da aprendizagem e da reflexão que vou atrelando aos dias da minha vida… A esses tantos (citados ou não) e ao leitor dessa postagem, meu abraço sob a minha face em risos, como costumeiramente tenho quando agradeço.

 …

E sim, finalizarei a postagem, tendo posto, acima, um desenho como de costume. Aquele é um dos que comentei (quando falei de certo palhaço…). E abaixo, os quatro desenhos, unidos como um só, cuja altura é 1,30m – talvez, vendo-os assim, juntos, você possa sentir o tamanho do meu apreço e ciúmes por esse desenho, o qual pretendo, com muito fervor, dedicar um lugar na parede de alguma exposição que eu vier a fazer da minha Arte; Arte que muito considero!

 

 

Título: SINTONIA    _ Direitos reservados

Título: SINTONIA

 

  

*     Por último, uma observação: meu café esfriou, interrompi a escrita do texto algumas muitas vezes, dois mosquitos foram mortos e pelo menos dois deles circundam o ambiente. Alguém tem Raid?

 





Recomeçar um desenho

20 09 2009
 
Arquivo pessoal
Arquivo pessoal
 

         Na última quinta-feira, à noite, dei início a mais um desenho. Com o tamanho de uma cartolina comum, comecei a esboçá-lo em folhas de ofício A4 para, depois, passar o esboço para a cartolina, utilizando caneta comum. Até aí, tudo bem.  

        Fiz o desenho nas folhas de ofício e simulei a posição do desenho. (1)

       Passei, a lápis, o esboço para a cartolina (2), e observei a foto, fonte para o desenho (3).

       E comecei.

       Primeiro, os olhos e óculos (4).

       Fiz o rosto (5) e parte do cabelo (6).

      Mas, eis que, ao terminar a cabeça, quase algumas horas depois, a palma da mão borra a o rosto com a tinta ainda fresca da caneta. (7) Pela foto, não se vê o borrão, mas, ao vivo, era visível

 

Assim, almejando um desenho sem rasuras no contorno,

dou-me por convencido a fazer todo o desenho novamente (8).

 

Foi a primeira vez que me permiti recomeçar um desenho.

Isso, logo na primeira instância, já me foi marcante.

 

Refiz o processo (9) (10).

 

       E, com a troca de caneta (por uma de secagem rápida), prossegui.

     Depois de terminada a cabeça, esbocei o cachorro na cartolina (11), e contornei-o (12).

       Desenhei a camisa (13), as mãos (14), e depois o fundo central (15).

 

 

 

Agora, depois de concluído as bordas, falta-me emoldurar.

Esse é o meu primeiro desenho com intuito de ser arquivo pessoal

(os demais, foram desenhados ou por lazer, hobbie, ou com intenção de expor).

 

O resultado:

Fellipe e Scooby

 

 





IDENTIDADE

23 08 2009

Afinal, quê é IDENTIDADE ARTÍSTICA?

Identidade artística… isso existe mesmo?

Para começo de conversa, busquei saber o que é Identidade . Foi então na Wikipédia que encontrei uma resposta de que identidade “é o conjunto de caracteres próprios e exclusivos com os quais se podem diferenciar pessoas, animais, plantas e objetos inanimados uns dos outros”, em quaisquer conjunto de semelhantes ou opostos…

Daí, eu m pergunto: como então reconhecer uma identidade?

Na sociedade a qual fazemos parte, IDENTIDADE torna-se um pedaço de papel com impressão em frente e verso, chamado “documento” de identificação, sem o qual e sem “registro de nascimento”, um indivíduo passa a não existir socialmente. Por esse meio, parece-me que identidade é reconhecida pelo meio material: sem o “documento”, uma pessoa não tem “caracteres próprios” socialmente, uma vez que, sem “documento de identificação”, uma pessoa fica desprovida de benefícios sociais como, a exemplo, empregos e participação em programas do Governo Federal…

Dando um salto nessa conversa política-social… Venho questionar se o mesmo ocorre com “identidade artística”.

O que é “Identidade Artística”?

Para um recomeço de conversa, e pensando por agora, parece-me, antes de mais nada, que o conceito de “identidade” se fixa com uma série de reflexões filosóficas… Explico: é como se, para haver IDENTIDADE, fosse preciso, antes e paralelamente, SER e EXISTIR.

Considerando que existo e sou, que elementos compõem a minha IDENTIDADE perante o mundo? Quais são as minhas exclusividades? Como existo?

E na arte, que caracteres possuo como IDENTIDADE?

Mesmo que já morto, algum artista possuiu identidade? A identidade transita com o tempo? Renova-se?

De um artista morto socialmente, mas vivo na História da Humanidade, essa tal identidade artística se renova? Transita pelo tempo? Ultrapassa décadas?

Até quando tem validade uma IDENTIDADE ARTÍSTICA?

[ BUM! ]

Calma. Identidade artística não é um documento, e espero que não venha a ser… Se bem que, na mesma sociedade a qual fazemos parte, há quem considere que um artista existe em função de seu diploma em Belas-Artes… Ou, ainda, exista enquanto favorecimento de amigos e discípulos… Mas…

001No fim de tudo, convenho que a complexidade do mundo e das coisas mundanas existem diante dos meus olhos, e devo ceder diante de “querer descobrir o verdadeiro sentido das coisas, é querer saber demais”.

Então, encerro com um desenho. Um detalhe, na verdade. E dispeço-me ainda refletindo sobre as questões; sobretudo: “Como reconheço uma IDENTIDADE ARTÍSTICA?”

Expressão? Técnica? Traços? Formas? Temática? Cores? Cursos? Aptidão? Exercício? Maturidade?





Expressão

22 07 2009
Direitos Reservados

Pasta de portifólio artístico e desenhos _ Direitos Reservados

 

Hoje, perguntei a mim mesmo: que são desenhos?

Como percebemos um bom desenho?

 

                   Notoriamente, isso está relacionado à estética e ao modo de como cada um de nós entendemos e apreendemos as representações de um desenho. A partir daí, diante do nosso particular conceito do que é Arte, entendemos um desenho e passamos a admirá-los ou rejeitá-los.

                   Não estou aqui fazendo uma discursão acadêmica, e sequer pretendo parecer entendedor profundo do tema. Gostaria, apenas, de compartilhar um pensamento; talvez, em verdade, não um pensamento, mas uma tentativa de entender e conceber parte da minha expressão e percepção artística.

                 Eu grito silenciosamente nas cores que dou lugar, e falo como quem está em constante decomposição dum corpo ainda vivo. Embora meus pés estejam perfeitamente sãos, sinto-os – bem como sinto às vezes o peito e a garganta – como sentiu Miguel Ângelo e, como ele, “titubeio e procuro minha salvação. Atraído pelo vício e simultaneamente pela virtude, o meu coração inquieto me atormenta”. Quando pretendo representar o ser humano, percebo-o em seu semblante horroroso e medonho.

                 Quero a fuga. Quero transformar o que meus ollhos veem. E conquisto, ainda que seja inevitável deixar de expressar uma ponta agulhosa de tristeza. No entanto, a conquista da transformação é a maravilha que me  tranquiliza momentaneamente e me satisfaz a alma quando, vendo o semblante monstruoso do ser humano, encontro nele um ponto de inconformismo com o seu mundo e a real natureza a qual se esconde. É, esse inconformismo, um ponto para criar esperança de que talvez ainda haja uma transformação dos males. Veja-se o mundo que construo para mim mesmo, por querê-lo compartilhado.

 

Desenho em processo _ Direitos Reservados

Desenho em processo _ Direitos Reservados

 

 

 

 





Pensamento

21 07 2009

  

Abaixo, a parte superior de desenho (Outubro de 2008) e, em seguida,
um pensamento de fé.
 
Direitos reservados
Direitos reservados

 

 

                     Peço licença aos céticos, ateus e os que não partilham da mesma opinião para expor o que acredito e penso.

                    Deus é o maior artista ainda vivo e existente. Apenas Ele resiste ao tempo, às dimensões, aos sistemas, à evolução. E apenas Ele sabe como ninguém unir, acasalar as cores, as formas e proporções. Você já percebeu como é a harmonia das cores de um pôr-do-sol, e como elas mudam com a transição do tempo? Não há nada que se possa provar como objeto mais exclusivo, belo e autêntico do que o universo que o homem não se cansa de descobrir e representar.

                    Deus é o artista; nós, talvez, os pincéis.

                    E a Arte sempre esteve viva. A diferença está entre os que crêem ou não. É como a fé: dependendo de onde e como a procuram, uns juram ter visto anjos; outros morrem na crença de que jamais alguém há de tê-los visto.

 

Fellipe Ernesto, março de 2009.





Quanto vale um desenho?

18 07 2009
 
 
 
                     Estive descobrindo novos desenhistas, e não pude deixar de perceber o quanto valorizam sua Arte. E digo “valorizam” em todos os sentidos, pois alguns de seus desenhos em folha canson A4 podem custar quase 500 reais.
                      Em razão disso, posto a imagem abaixo; novamente um desenho em processo.
Desenho x Dinheiro
Desenho X Dinheiro
                     Pode-se perceber claramente que, sobre o desenho, está uma nota em dólar com algumas moedas.
                     A razão disso é provocar em mim mesmo uma resposta que, até então, não obtenho:
 
                     – Quanto vale um desenho?
  
                     Muitas pessoas julgam, para um desenho em folha A4, o valor de 10 reais.
                     – Esse é um valor justo?
  
                    Os desenhos são produzidos e, quando realizados, são únicos: ninguém no mundo terá outro que não seja cópia.
                     – Qual o valor da exclusividade?
  
                     Se não houver técnica, um desenho pode não agradar.
                     – Qual o valor da técnica?
 
                    Se um desenho é produzido com técnica, muitos dirão que falta-lhe um pouco mais de expressão (acredito que mais valha a expressão que a técnica). E expressão não deixa de ser um envolvimento entre artista e objeto de arte.
                   – Quanto vale a expressão?
 
                   Algumas pessoas guardam por uma vida inteira as fotografias sobre um momento especial. Um artista produz um objeto marca de um momento forte para si.
                    – Quanto vale o emocional?
 
 
Afinal, quanto vale um desenho?




6 06 2009
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Intimidade

27 05 2009

  

 

 

Intimidade

Fellipe Ernesto

 

                   Nos cílios dos livros, encarei-o olho a olho, descobri sua alma. Terminei aprisionado no encanto das páginas, dos cílios, com o coração e a mente roubados à íris. No silêncio dos nossos olhares, nossa intimidade permitiu longas conversas e estreitos laços de amizade – suas memórias perpetuam vivas nas minhas lembranças. Mas, foi ainda nos cílios, que pude sentir a vontade de acariciar-lhe a alma, com o afeto sincero e a suavidade das costas de minhas mãos. Assim, tornamo-nos amigos.

                   Aos poucos, a intimidade nos aproximou mais e mais. Nas lembranças amorosas, nossos olhos choraram juntos: eu em lágrimas, ele em desabafos. Nos momentos de ação, senti cada aperto de um coração em êxtase. No suspense, nos prazeres, no ápice de nossas conversas, pude sentir o desejo de que aqueles instantes durassem uns intermináveis séculos. Suas descrições me foram confiadas. Longas foram nossas conversas durante as noites, até que eu caísse em profundo sono e deixasse-lo cair no chão, ainda com os olhos abertos.

                    Um dia, seus olhos foram marcados. Marcas como cataratas apagaram muitos de seus brilhos nos olhos. Com o tempo, parte de seus cílios se enfraqueceram. Alguns caíram. Colei-os em seus lugares.

                    Hoje, nossa intimidade está fecunda. Muitas conversas e palavras balsamaram de minha boca, como quem muito discute silenciosamente entre troca de olhares. À noite, deixo que meus lábios encostem sobre suas pálpebras e estale um quase silencioso beijo de gratidão. Muito do que penso foi formado ali, nos olhos de um alguém quase desconhecido, que moldou a cor, o jeito e a sensibilidade daquele livro.

 

Domingo, 11 de Janeiro de 2009





Próximo post

5 05 2009

onde estao os olhos?

 

 

 

 

 

 

 

 

 





VIDA

2 04 2009
Direitos Reservados”][CorelDraw]  Direitos Reservados

[CorelDraw

VIDA

Fellipe Ernesto

 

Vida é no encontro de amigos defronte ao mar

É nas conversas sem nexo,

Alegres, confortáveis e paralelas

Até com recém conhecido no ponto de ônibus

 

Vida é diversão,

É sorrir e gargalhar,

É vontade de estudar, é superação.

Vida é esperar numa fila, e,

Ao fim da espera, sentir que valeu à pena.

 

Vida é aprender a andar de bicicleta:

Você pode cair muito. Ou não;

Dependendo da segurança e confiança em si mesmo

 

Vida é grito de alegria, vitória, euforia e felicidade

Ao abrir até mesmo um pacote de jujubas.

Vida é um raro e gostoso abraço e aperto de mão.

 

Vida é um beijo estalado no peito, nas costas da mão;

Mesmo que virtual.

 

Vida é aventura, romance e poesia.

 

Vida é sol, lua, céu e mar.

É crença e descrença

É força e fraqueza

É perseverança, mesmo camuflada

 

Vida é pressão, com prazo de entrega;

Vida é trabalho, caminhada e processo

Nunca resultado.

 

Vida é nascimento; Renascimento; é amamentar.

Vida é choro, de felicidade e tristeza

É o fim e o infinito,

A verdade, a mentira,

É o que crê a razão

 

Vida é muito mais que o pôr-do-sol e aves no céu.

É a sensação que nos dá asas

Quando nos julgamos incapazes de tê-las para voar ao infinito,

Para além da imaginação humana:

A realidade cotidiana.

 

Vida é som, é música silenciosa

É abstração, complexidade,

É o indefinível.





MUNDO

24 03 2009
 

Direitos Reservados [CorelDraw] 

MUNDO

Fellipe Ernesto

 

Mundo… O que é o mundo?

Se você perguntar à uma criança ela dirá que é uma grande bola que fica flutuando, e que é tão grande que cabe um monte de gente.

Se perguntar a um jovem, ele dirá que o Mundo é um lugar de conflitos e brigas, de drogas e desavenças, de mortes e violências, e de despreocupações. É onde milhões de pessoas se encontram para debaterem, discutirem, revolucionarem e procurarem soluções para os problemas capitalistas.

Se você pergunta a um adulto, ele te dirá que é um lugar competitivo, estressante, preocupante, individualista e que acaba desmoronando todas as chances de esperanças e otimismo em viver. É um mundo feito para pressionar.

Já um idoso, em sua experiência dirá que o mundo é um espaço para interação e dialogo de pontos de vista distintos; que o mundo é uma chance de crescer e adquirir sabedoria na experiência dos altos e baixos.

 

Ora, uma criança diz que o mundo é uma bola grande e que flutua, e que cabe um monte de gente. Por que ela não disse que o mundo é um lugar de sonhos, de seres mágicos que ela acredita tanto? Porque ensinaram que bruxas, fadas, duendes e papai Noel não existem; desmascararam a farsa, mostrando a realidade nua e crua pela televisão.

Um jovem diz que o mundo é um lugar para mudanças. Por que apenas ele pensa assim? Por que o jovem deseja mudar o mundo? Porque destruíram os seus sonhos e jogaram sobre ele a responsabilidade de cuidar do mundo. Destruíram os sonhos com fantasias e mostraram a crueldade num momento em que ele ainda não estava pronto para ver. A quem ele culpa? Ao capitalismo; sistema político responsável pela pós-modernidade em que ele vive. Nisso, o jovem encontra os perigos e acredita serem perigos de mentira, tais quais as figuras de fadas, bruxas e papai Noel… É ainda um pouco criança sem admitir.

O adulto diz que está cansado de tantos trabalhos e afazeres… Por quê? Porque lutou pela mudança do mundo, lutou contra o capitalismo, lutou em favor da vida e da revolução. O que encontrou? Nada! Não encontrou nada, e por isso foi procurar o que fazer: sustentar-se. Nisso, encontra-se cansado, triste, preocupado com as dívidas que agora são de suas responsabilidades. Os adultos aprendem a botar mola no corpo para poder desviar dos perigos, se possível.

Os idosos? O que fazem? Bem, os idosos estão cansados. Depois que a mola enferruja, percebem que não precisava de mola alguma. Bastava ter o espírito jovem que pede mudança e a alma pura de acreditar que existe inocência! Aí, é tarde: estão encurvados demais para pular e dançar nas praças; doentes demais para comer chocolate ou beber refrigerante acompanhado de pastel e pizza salgada.

Aí, você me pergunta: o que é mundo então?

Eu te respondo: Mundo é um planeta bem grande, que flutua no espaço cheio de vaga-lumes grudados com adesivo no pano preto de quilômetros de extensão. Mundo é um lugar de encontro na praça ou em casa, lugar de mudanças e soluções. Mundo é lugar de estresse e preocupação, que depois aprendemos alguma coisa única e inédita. Mundo é lugar de cansaço e ferrugem para (re)aprendermos a Sonhar. Mundo é Mundo: é um lugar tão pequeno como a palavra que o denomina, mas tão grande como o som que se faz ao pronunciá-lo… Mundo é um planeta redondo que nunca tem um começo ou fim, apenas tem um caminho sempre destinado para frente, ao crescimento e somatório de anos dos seus habitantes. É um lugar como você bem desejar denominar.

 

 

[Direitos Reservados] 




Coisas que aprendi com a Vida e com Shakespeare (Texto)

12 03 2009
(Detalhe)    Direitos reservados

(Detalhe) Direitos reservados

Coisas que Aprendi com a Vida e com Shakespeare

Fellipe Ernesto

 

Aprendi que muitas vezes é preciso muito mais do que palavras para dizer o que precisou ser dito no passado.

Aprendi que as coisas nem sempre acontecem do jeito que você planejou; e com isso você sempre deve dar um jeito de permanecer vivendo.

Aprendi que as circunstâncias podem não ser as melhores para tomar determinadas decisões e, ainda assim, devo fazer o que for melhor e ético ser feito.

Aprendi que poderei fazer milhares de pessoas sofrerem e que posso evitar isso, mas jamais serei inteiramente responsável pelas dores de outrem, se eu estiver tomado uma decisão que não lhes provoque dores maiores.

Aprendi que meu coração poderá ser quebrado todos os dias, mas a mim caberá juntar os cacos rapidamente e continuar a vida.

Aprendi que hoje estou muito feliz e amanhã posso acordar profundamente triste, mas será minha responsabilidade transformar o meu dia inteiro.

Aprendi que Shakespeare não é o único que admirou os amigos e escreveu sobre eles, e que eu preciso conhecer novos escritores, novas experiências, novas conversas, novas cabeças.

Aprendi que os meus dias serão moldados da forma que eu bem desejar e insistir fazer, ainda que sejam aparentemente impossíveis realizar tudo o que eu gostaria de fazer.

Aprendi, principalmente, que eu não passo de um alguém que somente quer continuar aprendendo, crescendo e descobrindo.





De OlhO’s fechados

17 02 2009

 

Jesus

Direitos reservados

“Às vezes, nossos olhos se fecham, cansados de muito olhar e olhar… tão longe.”

(Fellipe Ernesto, 2008)





Anjo do Banheiro

29 11 2008
Abaixo, um desenho baseado no poema que segue.
Arte: Fellipe Ernesto _ Poema: Roberto Piva

Arte: Fellipe Ernesto _ Poema: Roberto Piva

E, abaixo, para fazer justiça ao visitante do blog, o desenho sem a poesia:
Direitos reservados

Direitos reservados

 

Nota: Acredito que devo agradecer à duas pessoas por ter me deixado ler o poema – ainda que mal me tenham deixado em paz para fazer o desenho (Mariana Moreira e Marcelo; e ainda à Sylvia, que estava presente no momento).





001: O Jardim das rosas que têm espinhos

30 10 2008
Visuais de desenhos alfabéticos.

Visuais de desenhos alfabéticos.

 

 

 

 

O jardim das rosas que têm espinhos

                                                                 Autor: Fellipe Ernesto

 

                Sei que é redundante falar, mas hoje as rosas têm espinhos. Não que antes elas não tivessem, mas agora os espinhos são mais formosos, volumosos, cortantes e extremamente perigosos. Agora, as rosas transformaram-se em plantas vivas e se alimentam das feridas de alguém, como se fossem devorar a carne pelas pétalas tão atraentes. As rosas não são brancas porque não tem chuva nem jardineiro adequado para cuidar, pois não sabem como lhes são úteis um pouquinho de cuidado e afeto naquele terreno seco e solitário. As rosas que têm irmãs são sozinhas e sem vida, porque não sentem o amor e afeto das rosas-família; ou não se identificam com elas. O jardineiro muito trabalha para dar um pouco de terra, e as rosas ficam paradas à espera de alguém que não se sabe quem exatamente é.

                As rosas estão com espinhos nas folhas. Suas mãos viraram cactos perfurantes a quem lhe oferecer ajuda, enquanto que seu adorável cheiro serve para atrair beija-flores que serão dispensados após a primeira hora de companhia. As rosas já não têm raízes sólidas. Andam por toda a terra, invadem territórios, experimentam agrotóxicos para se sentirem bem. Vagam pela grama baixa, fugindo do crime cometido e se escondendo das abelhas procuradoras.

                As rosas têm prazeres. São belas, perfumadas e vívidas, mas atraem consigo o horror, o odor e a morte a todos os lugares que vão, simplesmente porque já não são límpidas, belas e inocentes. Seus jardins são perigosos e sem vida. São desertos e mal cheirosos com vapor. São lugares de refúgios doentios que apenas estimulam os novos crimes que perfuram o caule e tiram o néctar uma das outras. Isso virou e transformou a dança sem gestos, a música sem letra, a vida sem luz.

                As rosas não sabem viver, apenas fingem. Julgam e matam os seus condenados que vivem a luz do dia, a dança com gestos, e a música com letra que contempla o que há de mais belo na face e no interior desse canteiro. E o canteiro das rosas tem arame farpado rodeado por todos os lados, e um quartinho para visitas que tem arame de um só: o lado de dentro. Visitas são sempre bem vindas e recebidas com pedágios e presentes caros como pagamento a falar com as rosas. E quando saem desse canteiro, recebem o falso e traiçoeiro néctar e cumprimento que arrasta para sempre um mau pensamento e uma inveja maliciosa e atordoante. Enfim, uma praga.

                Parece que as flores mais belas não são as rosas, mas as margaridas ou girassóis, porque aquela é traiçoeira, inimiga da sua própria vida e das outras, enquanto que as margaridas são simples, bonitas, dançarinas e principalmente sem espinhos. Ou os girassóis que aproveitam a luz o dia, que vive sem agrotóxicos, que são naturalmente grandes para aproveitar e acompanhar a luz do dia. Recebem gratuitamente sem desejar nada em troca, alimentam lembranças verdadeiras e néctares cheirosos e benevolentes aos beija-flores. Atraem vaga-lumes amigos, borboletas vívidas e besouros tagarelas. Vivem na companhia das árvores, joaninhas sábias e grilos cantores. Alojam formigas colonizadoras, sapos perdidos, fadas e gnomos e duendes amigos que vivem escondidos. Transformam o dia em uma festa de bichos e seres, e, quando a noite vem, acolhem a todos sem arames farpados, canteiros caros, visitas pagas, sorrisos traiçoeiros, mãos cortantes, e ainda estão livres e dispostas a dar aquele tão gostoso abraço amigo sem machucar. É uma pena que as rosas tenham espinhos… Mas ainda bem que há flores que, além de não terem, sabem como aproveitar a vida sem agrotóxicos infecciosos e sem bebidas venenosas.

                E assim, quando será que vamos ter um jardim sem farpados, com vida e com gratuidade?

 

 Maceió, Agosto de 2007







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