De que são feitos os sonhos?

16 01 2011

 Pensamento. Em solidariedade. Sobre sonhos. Sobre a arte de estar vivo.

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Com espaços figurados, ambientes quentes e frios, mesclando o real e o fantástico surreal, entre o erótico e o épico, Salvador Dali trouxe às telas o universo dos sonhos. Das palhetas, dos pincéis e das tintas, as obras de Dali ganharam reconhecimento no mundo inteiro. E agora, em meio à apreciação de suas obras, questionei-me 

Por que, quando os sonhos parecem ser mágicos e fantásticos, rachaduras e estranhismos cismam em compactuar do mesmo espaço, como em obras de Dali?

  

Por que sonhos são derrubados com avalanches e derrubamento de terras que os expõem à fragilidade?

E por que outros sonhos são de aparência frágil, mas são fortes e inabaláveis, ao ponto de permanecem intactos depois do desmanche das tintas?

 

Como são os traços rabiscados dos sonhos, seus contornos finalizados e suas cores sobre papel e tela?

 

Afinal, de que são feitos os sonhos?

 

Desenho em processo: voltando a desenhar...

 

 

  

 

 

 

 

Postagem em memória às vitimas das enchentes no Estado do Rio de Janeiro, neste início de 2010. Que todos os sonhos sejam reerguidos, continuados e conquistados.





Natal

24 12 2010

 Um sonho. Madrugada. Véspera de natal.

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Há algum tempo, tenho tentado (sem sucesso) fazer o desenho de uma personagem muito importante na minha infância. E hoje, em especial, sinto que alcancei a expressão que tenho tentado captar em traços. Mas, antes de fazer o desenho, alguns acontecimentos fazem dele algo especial para mim.

Nesta madrugada para o dia 24 de dezembro de 2010, sonhei com um filme que marcou a minha infância, e não sei bem qual a razão de tê-lo lembrado em sonho (pois há mais de doze anos que não vejo esse filme). Mas o certo é que um estalo aconteceu em mim.

Nessas horas recordo-me de quando menino menor de dez anos, quando devolvia os filmes em VHS à locadora e retornava para casa já com expectativas de juntar dinheiro para locar filmes no fim de semana seguinte. E eram praticamente os mesmos: João e Maria, A Bela Adormecida, O Rei Leão  e, o mais assistidoA pequena vendedora de fósforos.

Então que, neste Natal de 2010, por alguma razão o desejo de reencontrar esse antigo filme me foi mais forte. Mais do que isso: na noite de ontem para hoje (dia 24) sonhei com o filme inteiro, e vislumbrei a imagem da menina a acender os fósforos por três vezes e, pela chama do fogo, ver seus sonhos de um Natal feliz, e que termina as celebrações do Natal no céu… 

Não sei expressar com palavras o que senti e o que ainda sinto com essa história de Hans Christian Andersen, mas sei que se confundem a alegria, o padecimento, a tristeza e a felicidade em um mesmo espaço do peito. E essa mistura intensa se torna mais profunda com os rabiscos que fiz, com o desejo de deixar representado a figura dessa menina cuja história me conquistou por até então 12 anos.

 

(A pequena vendedora de fósforos)

“A menina levantou ambas as mãos para a árvore, mas o fósforo apagou-se, e todas as velas de Natal começaram a subir, a subir, e ela percebeu então que eram apenas as estrelas a brilhar no céu. Uma estrela maior do que as outras desceu em direção à terra, deixando atrás de si um comprido rasto de luz.

«Foi alguém que morreu», pensou para consigo a menina; porque a avó, a única pessoa que tinha sido boa para ela, mas que já não era viva, dizia-lhe muitas vezes: «Quando vires uma estrela cadente, é uma alma que vai a caminho do céu.»

Esfregou ainda mais outro fósforo na parede: fez-se uma grande luz, e no meio apareceu a avó, de pé, com uma expressão muito suave, cheia de felicidade!

— Avó! — gritou a menina — leva-me contigo! Quando este fósforo se apagar, eu sei que já não estarás aqui. Vais desaparecer como o fogão de sala, como o ganso assado, e como a árvore de Natal, tão linda.

Riscou imediatamente o punhado de fósforos que restava daquele maço, porque queria que a avó continuasse junto dela, e os fósforos espalharam em redor uma luz tão brilhante como se fosse dia. Nunca a avó lhe parecera tão alta nem tão bonita. Tomou a neta nos braços e, soltando os pés da terra, no meio daquele resplendor, voaram ambas tão alto, tão alto, que já não podiam sentir frio, nem fome, nem desgostos, porque tinham chegado ao reino de Deus.

Mas ali, naquele canto, junto do portal, quando rompeu a manhã gelada, estava caída uma rapariguinha, com as faces roxas, um sorriso nos lábios… mor ta de frio, na última noite do ano.

(trecho do conto A menina dos Fósforos, de Hans Christian Andersen)

 

Com essa imagem e o trecho de “A menina dos fósforos” (de Andersen), desejo um

 Feliz Natal para todos nós.

 

Tin tin.

(com champagne)

 





Verbete

17 12 2010

Um texto. Palavras sem aperitivos.

O RIO

Fellipe Ernesto

 

Estou pensando em quantas vezes um rio tem mudado seu trajeto por interferência de outros córregos. Nem todos os planos seguem o sentido que trajamos.

Adiante, com obstáculos mais complexos ou não, o rio sempre termina por encontrar o mar, e lá deságua o recipiente que lhe resta. Penso nos córregos, nos esgotos e nas represas que são instaladas mudando o percurso do rio. Penso na força que não é da natureza, que se instalam defronte às águas do rio como se nada intervissem ou como se inconscientes das conseqüências de seus atos.

Falo dos rios e obstáculos como quem se dirige à corrupção em massa e desenfreada nos incontáveis setores da sociedade; aos trajetos que nos tranca a porta e ainda sorriem suas ações em benefício próprio ou de um grupo fechado. Mas nem toda queda d’água é silenciosa, e há pedras no percurso do rio que, involuntariamente, estalam um barulho perceptível pelos arredores. E quando na água cai uma mancha distinta, mesmo incolor, graças que podemos investigar o trajeto no sentido contrário, e descobrir a origem de fenômenos não-naturais.

Na natureza é assim. Nem toda represa faz morrer de imediato o rio. Nem todo esgoto se mistura às águas sem ser percebido. Nem todas as portas são fechadas sem que se corra o risco de, em algum momento, serem abertas por sua fragilidade nas trancas… Nem todo cerco que se fecha impede o animal de alçar vôo ou saltar os arames farpados, como faz o rio: na cheia de sua natural competência, suas águas transbordam os limites impostos.

 

 

Direitos Reservados

Depois de proferidas estas palavras, e a vida comprovar a veracidade de fatos,

agora sim: um VIVA à vida, ao percurso do rio.

A vida é uma para os que interferem; e outra, bem melhor, para os que sabem de si.

 

Um brinde aos meus 22 anos.

Tin tin.

 





Bosquejo: silêncio.

7 12 2010

Um silêncio. Momento. Confessionário.

 

 

O rochedo desabou perante uma plateia.

Silêncio.

A natureza vai resistir:

“Pois o triunfo pertence a quem se atreve”.

 

 

 

 

 

 

 





Album de fotos

4 11 2010

Album. Fotografias. Pessoal. %. Preto/branco.

 

 

 

 





Pegadas na areia

26 10 2010

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Não ficam por anos as mesmas pegadas na areia do mar.

Isso é bom.

Apesar da falta de pilha ao relógio, o tempo não para.

Ele fecha feridas, cicatriza marcas, talvez cobre manchas…

Daí, novas pegadas ficam na areia: um novo caminho.

 

MUDANÇA.

 

 

E eu nunca soube de uma mudança que não fosse

intimamente

para melhor.

 

Repito: isso é bom.

 

 

 

 

 





a-nexo

5 10 2010

Um poema. Antigo. Talvez não gostem.

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Moderna poesia sentimental

Fellipe Ernesto

 

Rabisca-se algo numa folha qualquer,

Toma-se nas mãos um desconhecido rumo,

Trabalhando a forma – tentando – versos sumos

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Surge no leite sólido as pintas em desenho.

Salpicam as letras, uma após a outra.

Depois, formam-se palavras em sequências loucas,

Como se o ato fosse – de fato – irresponsável.

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Assim se fez a moderna poesia sentimental.

Sem rumo, tomou destino. Desafiou as leis, tornou-se dimensional.

Ausente sentido, quiseram eles que não lhe desse valor!

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Mas o poeta rabisca

Apenas rabisca sem cessar,

Quando, sensível e irracional,

Tenta explicar o inexplicável,

A fim de deixar explodir no leite

O que se poderia expluir uma vida.

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